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JUDICIáRIO

MPPE instaura procedimento para apurar caso do Sítio Pedra da Onça; empresa pertence a quatro secretários da cúpula da gestão João Campos

Augusto César Por Augusto César
MPPE instaura procedimento para apurar caso do Sítio Pedra da Onça; empresa pertence a quatro secretários da cúpula da gestão João Campos

Flagra de João Campos e mais dois fundadores da empresa Sítio Pedra da Onça andando a cavalo na região de um imóvel da empresa recém comprado nunca foi explicado pelo atual candidato – Foto: Blog Política no Forno

Questionamentos sobre a empresa foram trazidos à tona por Manoel Medeiros em janeiro, que também pediu investigações ao MPPE. Em nove de junho, a 44ª de Promotoria de Defesa da Cidadania da Capital (patrimônio público) instaurou procedimento administrativo para verificar se houve infração disciplinar por parte de servidor público

O Ministério Público do Estado de Pernambuco (MPPE) determinou a instauração de um procedimento para “acompanhamento e adoção das medidas legais” em relação ao caso da empresa Sítio Pedra da Onça Ltda., pertencente a quatro integrantes da cúpula da Prefeitura do Recife, sediada em um cowork no Poço da Panela, no Recife, e proprietária de um imóvel de 11 hectares em Chã Grande, Zona da Mata.

De acordo com um site de notícias local, que intitulou o negócio de “Sítio do Poder”, secretários de João Campos fecharam ponto turístico em Chã Grande para especulação imobiliária”.

A empresa, que era desconhecida da sociedade, foi revelada pelo jornalista, economista e atualmente candidato a deputado estadual Manoel Medeiros em janeiro deste ano. A partir das matérias e vídeos, os sócios da empresa estão processando Medeiros nas esferas criminal e cível. Neste âmbito, houve solicitação para que Manoel fosse impedido de seguir publicando “material ofensivo”.  Os sócios argumentam legalidade na constituição da empresa.

Um elemento que chama atenção e que soma necessidade de apuração – que cabe exclusivamente aos órgãos de controle – é o fato de que a imprensa local de Chã Grande, a partir do trabalho do blog Política no Forno, flagrou João Campos em maio de 2024, ainda como prefeito, e mais dois sócios-fundadores do negócio (Victor Marques e Luciano Temporal), andando a cavalo na região onde a empresa adquiriu o imóvel de 11 hectares por R$ 260 mil (uma das dúvidas levadas ao MPPE é se o valor confere com o de mercado).

O procedimento do MPPE se refere especificamente à nomeação, pelo ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB), do sócio-administrador da empresa Sítio Pedra da Onça Ltda. para o cargo de secretário-executivo de Transformação Digital do Recife. A portaria de instauração é de nove de junho de 2026. Cargos efetivos e comissionados da Prefeitura não podem atuar como gerentes ou administradores de empresas privadas.

Diário Oficial do Recife trouxe em 16 de dezembro de 2025 a nomeação do sócio-administrador do sítio

Bruno Delgado de Souza, que administra o negócio criado para lotear, comprar e vender imóvel, além de criação de bovinos, equinos e venda de sêmen, era o único dos cinco sócios da empresa que não trabalhava na cúpula da Prefeitura. Em 16 de dezembro de 2025, no entanto, ele foi nomeado por João Campos por meio da portaria de número 1760. Segundo sua defesa, ele nunca tomou posse. Por outro lado, não há notícia do recuo da portaria em questão, ainda não “tornada sem efeito”.

Além dos cinco atuais sócios, o atual prefeito do Recife, Victor Marques (PCdoB), foi um dos fundadores da empresa, em janeiro de 2024. Ele deixou a sociedade poucos dias antes de ser oficializado candidato ao lado de Campos na eleição municipal passada.

Justiça atende parcialmente a pedido de secretários mais próximos de João Campos e determina retirada do ar de dois vídeos sobre empresa “Sítio Pedra da Onça Ltda.”

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