O cantor e influenciador pernambucano Anderson Neiff publicou um vídeo conjecturando uma “revolução” dos influenciadores digitais contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), motivada pelas recentes medidas do governo federal que proibiram o funcionamento de plataformas de apostas online, as conhecidas bets.
No desabafo feito em suas redes sociais em setembro de 2026, Neiff ponderou sobre o impacto financeiro da proibição na renda de criadores de conteúdo e sugeriu que os blogueiros poderiam se mobilizar para fazer campanha em massa a favor do número 22 (referência ao Partido Liberal, que tem Flávio Bolsonaro como candidato à presidência).
A repercussão e o impacto dessa fala geraram debates diretos no cenário político de Pernambuco:
- A suposta “traição” a João Campos: Internautas e analistas políticos apontaram a contradição da fala de Neiff, uma vez que o artista mantém uma relação política estreita de longa data com João Campos (PSB) e participa diretamente como um dos principais cabos eleitorais e criadores de jingles de sua campanha para o governo do estado em 2026. Como Lula apoia formalmente a candidatura de João Campos ao governo estadual, a sugestão de impulsionar o “22” nacionalmente foi vista por críticos como um desalinhamento ou “traição” indireta à coligação do ex-prefeito do Recife.
- O argumento de Neiff: No vídeo gravado, o cantor afirmou que muitos criadores de conteúdo, equipes de futebol e funcionários dependem diretamente do mercado de apostas para se sustentar. Embora tenha destacado que o jogo não representa sua única fonte de renda, pontuou que “ajuda para caralho” e questionou se a força dessa comunidade digital não poderia balançar o cenário eleitoral caso todos resolvessem “endoidar” e pedir votos contra o atual governo federal.
- O contraponto na oposição: O tema das bets já vinha sendo explorado no debate estadual. A governadora e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), vinha adotando um tom duro contra as casas de aposta, associando o setor ao endividamento familiar e criticando a Prefeitura do Recife por ter reduzido impostos para o segmento ou permitido patrocínios em grandes eventos públicos.
A manifestação expõe o clima tenso na reta final da campanha, onde a proibição das plataformas de apostas mexeu diretamente com o bolso do mercado de influência digital e passou a ser utilizada como combustível eleitoral na disputa.
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Por Augusto César