Folha PE – Dezoito dias depois de ser nomeado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, o procurador da Fazenda Nacional Tadeu Alencar, 63 anos, deixa o cargo nesta quarta-feira (22). A exoneração, assinada pelo presidente em exercício, Geraldo Alckmin (PSB), será publicada no Diário Oficial da União (DOU) de amanhã. No fim da tarde de hoje, ele divulgou nota nas redes sociais resumindo o período em que esteve à frente da pasta.
“Não reivindiquei, não articulei, não angariei apoios, não busquei qualquer patrocínio, visando a tal nomeação, porque a política, antes de ser feita em torno de personalismos, deve se fazer em torno de projetos”, registra o texto do agora ex-ministro, que antes ocupava a Secretaria-Executiva da pasta.
A saída é consequência de uma articulação do PSB que contempla o ex-secretário Nacional de Justiça durante a gestão de Ricardo Lewandowski no Ministério da Justiça e Segurança Pública, Paulo Henrique Rodrigues Pereira. Também filiado ao PSB, Paulo Henrique Pereira tem o apoio do ex-governador de São Paulo Márcio França, que comandava a pasta e saiu para disputar uma vaga ao Senado. O indicado também é ligado à deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP), mulher do presidente nacional do PSB, João Campos, e foi o nome defendido pelo ex-prefeito do Recife junto ao presidente Lula.
“Para mim, o melhor para o partido deveria ser o melhor para qualquer militante desse partido… Eu não quero entrar em detalhes dessas tensões, porque elas são questões internas e que foram superadas com a decisão, uma solução política, que nós construímos”, afirmou Tadeu Alencar, em entrevista à Folha de Pernambuco.
O ex-ministro avalia agora quais serão os próximos passos. Recebeu de Alckmin convite para assessorá-lo na vice-presidência. Pode também reforçar a campanha de João Campos ao governo ou ainda voltar para a Câmara dos Deputados e ocupar uma das vagas na condição de segundo suplente do PSB. Veja os principais trechos da conversa e a íntegra da nota divulgada.
Trajetória
O ministro lembrou a trajetória no governo Lula III, do qual participou desde a transição, ainda em 2022. Antes de integrar o Ministério do Empreendedorismo, ele ajudou a desenhar a atuação do Ministério da Justiça e Segurança Pública e posteriormente foi convidado pelo então ministro Flávio Dino para chefiar a Secretaria Nacional de Segurança Pública.
“Fui Secretário Nacional de Segurança Pública, que é uma posição muito sensível, muito destacada, com um ministro que tinha uma disposição muito vigorosa de enfrentamento às organizações criminosas. Nós idealizamos lá um programa de enfrentamento às organizações criminosas que foi lançado em setembro de 2023 e depois, com a saída do ministro, naturalmente, como o convite foi dele, eu saí junto”, rememorou.
Eduardo e Arraes
Quadro histórico do PSB, o ministro reconheceu que a projeção nacional foi resultado da atuação no governo de Eduardo Campos (2007-2014), especialmente como secretário da Casa Civil e responsável por acompanhar o programa de combate à violência Pacto Pela Vida.
“Tive a oportunidade de participar muito de perto do que Eduardo Campos fez aqui em Pernambuco. Para mim foi um prestígio, um privilégio gozar da oportunidade de trabalhar com quem eu considero o maior líder político da minha geração, que fez uma obra de fôlego em Pernambuco. Isso se deve também ao partido dele, ao meu partido, o partido de Arraes”, frisou.
PSB
Tadeu Alencar reforçou o alinhamento com o presidente nacional do PSB, João Campos. Para ele, apesar de haver uma preferência do presidente Lula pela nomeação dos secretários-executivos nos cargos dos ministros que deixaram o governo para disputar a eleição, a sustentação do mandatário no Legislativo é que deve ser o interesse maior.
“Embora o cargo seja uma prerrogativa exclusiva do Presidente da República, é também o espaço de indicação natural dos partidos. Se a base de um governo se expressa pelos votos no parlamento, é natural que esses partidos ajudem o governo a governar. Eu disse para o nosso presidente João Campos que estava à vontade com isso, que o que fosse melhor para o partido era como deveríamos nos conduzir”, garantiu.

Por Augusto César