Foto: Divulgação
Edmar Lyra – A governadora Raquel Lyra transformou o palco do 9º Congresso da Associação Municipalista de Pernambuco em vitrine de uma estratégia política que mistura gestão, articulação e antecipação de cenários. Ao anunciar a divisão de R$ 1,3 bilhão entre 151 municípios, recursos oriundos da concessão parcial da Companhia Pernambucana de Saneamento, a governadora sinaliza que compreende o peso do municipalismo em Pernambuco. Prefeitos fortalecidos financeiramente tendem a se tornar aliados mais sólidos, sobretudo em um ambiente político onde a capilaridade territorial define vitórias eleitorais. Mais do que um repasse, trata-se de uma construção de base.
A operação com a BASA Saneamento Ambiental S.A. insere o Estado em um modelo que busca acelerar investimentos e cumprir as metas do novo marco do saneamento. Com previsão de R$ 17,4 bilhões em aportes e uma outorga de R$ 4 bilhões, o projeto tenta resolver um gargalo histórico sem romper completamente com a estrutura estatal, já que a Compesa seguirá responsável por etapas estratégicas do sistema. O desafio, no entanto, não é apenas financeiro ou técnico: passa também pela confiança da população e pela capacidade de mostrar resultados concretos em prazos razoáveis, evitando que a concessão vire alvo de desgaste político.
Em paralelo, a autorização para licitação da duplicação da BR-232 entre São Caetano e Belo Jardim reforça o discurso de investimento em infraestrutura como motor de desenvolvimento. A rodovia é um dos principais corredores econômicos do Estado, e sua ampliação atende a uma demanda antiga do Agreste. Ao colocar R$ 249 milhões na mesa, o governo estadual tenta imprimir ritmo a uma agenda que dialoga diretamente com o setor produtivo e com a população do interior, onde obras viárias costumam ter impacto imediato na percepção de eficiência administrativa.
Mas o movimento mais interessante talvez esteja no plano menos visível: a construção de uma narrativa de gestão que combina entrega de recursos, obras estruturadoras e parceria institucional. Ao reunir lideranças de diferentes espectros políticos, o governo sinaliza disposição para ampliar pontes e reduzir resistências, criando um ambiente de cooperação que pode ser decisivo nos próximos anos. Nesse tabuleiro, cada cheque entregue e cada edital lançado cumprem uma função que vai além do administrativo — ajudam a desenhar um projeto de poder sustentado por presença nos municípios e pela tentativa de transformar resultados de gestão em ativo político duradouro.

Por Augusto César