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MEIO AMBIENTE

Paulista registra recorde com 50 ninhos de tartarugas-de-pente, espécie em perigo de extinção

Augusto César Por Augusto César
Paulista registra recorde com 50 ninhos de tartarugas-de-pente, espécie em perigo de extinção

Tartarugas-de-pente nascem na praia de Enseadinha, no Janga – Prefeitura do Paulista

Monitoramento contabiliza 2,4 mil filhotes na temporada 2025-2026; espécie em extinção encontra refúgio em praias como Enseadinha e Maria Farinha

De Maria Clara Trajano – O município do Paulista, na Região Metropolitana do Recife, atingiu a marca de 50 ninhos de tartarugas marinhas identificados durante a temporada reprodutiva 2025-2026.

O número é o maior já registrado pela gestão municipal e reflete o monitoramento da espécie tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata), que está classificada como criticamente em perigo de extinção.

A ocorrência mais recente foi confirmada na madrugada desta segunda-feira (27), no bairro de Maria Farinha. Segundo o Núcleo de Sustentabilidade Urbana (NSU), vinculado à Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SEMMA), a eclosão de 30 desses ninhos já resultou no nascimento de 2.400 filhotes que chegaram ao mar.

Distribuição dos ninhos pela costa

A concentração dos pontos de desova revela áreas críticas para a conservação da fauna marinha na cidade. A praia de Enseadinha se consolida como o principal berçário da região, onde foram registrados 30 ninhos. Em Maria Farinha, 17 ninhos; na praia do Janga, dois; e em Nossa Senhora da Conceição, um ninho.

O processo de monitoramento é diário e se intensifica quando o ninho completa 45 dias de incubação. De acordo com os técnicos, esse acompanhamento é vital para mitigar riscos urbanos, como a compactação da areia por veículos ou pedestres e a poluição luminosa, que desorienta os filhotes no trajeto até a água.

Proteção de espécie ameaçada

A tartaruga-de-pente utiliza a costa pernambucana historicamente para reprodução, mas enfrenta desafios crescentes devido à ocupação urbana. A coordenadora do NSU, Jocelane Cavalcanti, reforça a necessidade da vigilância técnica para garantir a sobrevivência dos espécimes.

“O trabalho é importante para a conservação das espécies, especialmente considerando que a tartaruga-de-pente, predominante na região, encontra-se em perigo de extinção”, afirmou a coordenadora.

O período de incubação dos ovos varia entre 40 e 60 dias. Após o rompimento das cascas (eclosão), os filhotes levam até três dias para emergir à superfície da areia e iniciar a caminhada para o Oceano Atlântico.

Orientações à população e denúncias

A Secretaria de Meio Ambiente orienta que moradores e turistas não interfiram no processo natural de eclosão ou desova. O uso de lanternas ou flashes de celulares deve ser evitado, pois as luzes artificiais atraem os animais para a direção oposta ao mar, levando-os à morte por exaustão ou atropelamento.

Ao avistar tartarugas em processo de desova ou o nascimento de filhotes, o cidadão deve manter distância e entrar em contato com os órgãos ambientais:

  • WhatsApp do NSU: (81) 99836-9947
  • Guarda Civil Municipal: 153
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