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POLíTICA

CPMI pode abrir nova crise política em Brasília, Paulo Câmara esta na Mira

Augusto César Por Augusto César
CPMI pode abrir nova crise política em Brasília, Paulo Câmara esta na Mira

A possível instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito começa a ganhar contornos de crise política em Brasília, com potencial de respingar diretamente em programas sociais sensíveis no Nordeste.

No centro da apuração estão irregularidades apontadas pelo Tribunal de Contas da União, que miram contratos firmados entre o Banco do Nordeste e o Instituto Nordeste Cidadania, além de acordos com a Camed Microcrédito.

As suspeitas não são genéricas. Elas aparecem detalhadas em processo técnico do TCU e ganharam peso com decisão recente da Corte, que identificou falhas na execução do Programa Nacional de Microcrédito Produtivo Orientado. Na prática, o que está em jogo é a forma como recursos públicos foram operados na ponta, onde o dinheiro chega a pequenos empreendedores.

Outro ponto que chama atenção envolve licitações recentes. Mesmo seguindo formalmente determinações do TCU, há indícios de que os editais dos pregões teriam sido desenhados para limitar a concorrência. Em linguagem simples: cumprir a regra no papel, mas restringir o jogo na prática. Se confirmado, o caso esbarra diretamente nos princípios constitucionais da administração pública.

Nos bastidores, o clima já é de tensão. Uma CPMI com esse escopo não fica restrita ao técnico. Ela inevitavelmente entra no campo político, pressiona gestores, mobiliza partidos e cria desgaste público. E quando o tema envolve crédito popular, o impacto ultrapassa Brasília e chega rápido na base.

A decisão agora está nas mãos do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Cabe a ele dar o sinal verde ou segurar o freio de uma investigação que pode ganhar dimensão nacional.

Se instalada, a CPMI não será apenas mais uma comissão. Será um teste de força, de narrativa e, sobretudo, de responsabilidade sobre o uso do dinheiro público em uma das regiões mais sensíveis do país.

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