Pular para o conteúdo
ELEIçõES 2026

O puxador de votos do PSD 

Augusto César Por Augusto César
O puxador de votos do PSD 

Foto: Divulgação

Edmar Lyra – A filiação da governadora Raquel Lyra ao PSD não representou apenas uma mudança partidária simbólica ou estratégica para o tabuleiro de 2026. O movimento trouxe junto uma missão clara: montar uma chapa competitiva para a Câmara Federal e entregar pelo menos quatro deputados federais eleitos pela legenda em Pernambuco. Hoje, o cenário ainda está distante da meta estabelecida, embora os sinais emitidos pelo Palácio indiquem que a operação para alcançar esse objetivo já começou com força total.

Atualmente, o PSD possui três nomes no radar da disputa proporcional: Fernando Monteiro, Guilherme Uchôa Júnior e Túlio Gadêlha. O problema é que Túlio já foi lançado como pré-candidato ao Senado, o que reduz significativamente o potencial da chapa federal e deixa o partido apenas na metade da meta estipulada pela governadora.

Nos bastidores, entretanto, há uma avaliação de que o PSD possui musculatura para reagir. Nomes como Daniel Coelho, que tenta retornar à Câmara, Sargento Almeida, apontado como um candidato de votação expressiva, além de Célia Sales, Izaias Régis e Socorro Pimentel, aparecem como peças importantes para fortalecer a nominata.

A leitura predominante entre aliados do governo é de que esse conjunto de candidaturas pode consolidar algo em torno de três vagas federais. Mas existe um entendimento claro de que, para atingir a quarta cadeira e garantir conforto eleitoral à legenda, o PSD precisará de um “puxador” de votos — alguém capaz de ultrapassar a barreira individual e irradiar votação para os demais candidatos da chapa.

É justamente nesse contexto que o nome de André Teixeira passou a ganhar enorme força nos bastidores do Palácio do Campo das Princesas. Mais do que simplesmente disputar uma vaga na Câmara, André surge como uma aposta estratégica do governo para liderar a chapa proporcional do PSD. O projeto desenhado por aliados da governadora prevê uma candidatura fortemente ancorada na estrutura municipalista construída por Raquel Lyra desde o início da gestão.

A matemática política ajuda a explicar o movimento. A bancada federal pernambucana possui hoje poucos parlamentares alinhados diretamente ao governo estadual. A maior parte atua em posição de independência ou oposição. Isso abriu espaço para que o Palácio buscasse nos mais de 140 prefeitos aliados uma alternativa para ampliar sua influência em Brasília a partir de 2027.

Nesse cenário, prefeitos beneficiados politicamente ou administrativamente pelo governo estadual podem acabar redirecionando apoios para fortalecer candidaturas ligadas ao PSD. E André Teixeira desponta justamente como o principal destinatário dessa engenharia política. As projeções iniciais falam em cerca de 100 mil votos, mas interlocutores do governo já trabalham reservadamente com cenários que apontam para 150 mil votos e, em condições altamente favoráveis, até 200 mil.

Por isso, dentro do núcleo político do governo, o sentimento já é praticamente consolidado: André Teixeira não apenas é candidatíssimo à Câmara Federal, como deverá ser tratado como a principal aposta do PSD para transformar a meta de quatro deputados federais em realidade eleitoral.