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SEGURANçA

Justiça anula inquérito da Alepe contra Manoel Medeiros nove meses após quebra de sigilo de denúncia anônima

Augusto César Por Augusto César
Justiça anula inquérito da Alepe contra Manoel Medeiros nove meses após quebra de sigilo de denúncia anônima

A Justiça de Pernambuco determinou o trancamento do inquérito policial aberto contra o jornalista e ex-assessor especial do Governo de Pernambuco, Manoel Pires Medeiros Neto, investigado por suposta denúncia caluniosa contra a deputada estadual Dani Portela (PT). A decisão foi assinada pelo juiz Hugo Vinicius Castro Jiménez, da 13ª Vara Criminal da Capital.

O juiz reconheceu a nulidade absoluta dos atos investigatórios realizados pela Superintendência de Inteligência Legislativa da Alepe (SUINT) e concedeu habeas corpus preventivo em favor de Manoel Medeiros, determinando também a expedição de salvo-conduto.

Segundo o entendimento do juiz, a atuação da SUINT deve se limitar à proteção institucional da Alepe e à segurança dos parlamentares dentro do exercício funcional da Casa Legislativa.

O inquérito havia sido instaurado após denúncias anônimas encaminhadas ao Ministério Público de Contas (MPCO) envolvendo supostas irregularidades no uso de verbas indenizatórias do gabinete da deputada Dani Portela.

Durante o processo, a defesa de Manoel alegou que a investigação conduzida pela polícia legislativa ocorreu de forma ilegal, já que os fatos investigados teriam ocorrido fora das dependências da Alepe e em ambiente virtual. O Ministério Público também se manifestou favoravelmente ao trancamento do inquérito.

No parecer enviado à Justiça, o MP destacou que a atuação da polícia legislativa não poderia substituir a competência da Polícia Civil em investigações de crimes comuns. O órgão também afirmou que o arquivamento da denúncia pelo Tribunal de Contas não seria suficiente para caracterizar denúncia caluniosa.

Na decisão, o juiz afirmou que o depoimento do jornalista “deveria ter se iniciado em uma unidade da Polícia Civil convencional” e não no âmbito da polícia legislativa.

O caso ganhou repercussão pública em agosto de 2025, após denúncias feitas pelo presidente da Alepe, Álvaro Porto (MDB), sobre a existência de uma suposta “milícia digital” contra parlamentares. Após o episódio, Manoel Medeiros pediu exoneração do cargo que ocupava no governo estadual.