Governadora Raquel Lyra junta adversários em Araripina na hora de autorizar obras da Adutora de Negreiros – Foto: Miva Filho/Secom
Governadora autorizou início das obras que vão beneficiar 420 mil pernambucanos em 11 municípios
De Betânia Santana – Por décadas, o Sertão do Araripe se acostumou a administrar a seca entre promessas e dependência dos carros-pipa. Na sexta-feira, ao assinar a ordem de serviço da Adutora de Negreiros, em Araripina, a governadora Raquel Lyra (PSD) tocou na ferida.
Afirmou que seu sonho é ver o fim da era em que o cidadão precisa implorar por um caminhão d’água. O investimento de mais de R$ 300 milhões – do Programa Águas de Pernambuco – promete mudar a história de 420 mil pernambucanos em 11 municípios.
Antes mesmo de a primeira gota correr pelas tubulações, o projeto transborda em disputas. Muitos têm a luta no DNA da obra a líder do governo na Alepe, deputada Socorro Pimentel (PSD); o ex-prefeito de Araripina Raimundo Pimentel; a ex-deputada Roberta Arraes; o atual prefeito, Evilásio Mateus, para citar alguns.
A governadora reuniu adversários históricos locais no mesmo palanque, demonstrando que focar apenas na briga por votos enfraquece o debate. Mas ter o voto de todos fortalece as urnas.
Nas redes sociais, vereadores da região cobraram reconhecimento da mobilização que fazem desde 2021, para dar visibilidade ao projeto. Qualquer iniciativa, no entanto, esbarrava no caixa do estado e dependia do projeto estrutural. A Barragem de Negreiros integra o Eixo Norte da Transposição do Rio São Francisco.
O carimbo do presidente Lula nunca foi tão decisivo. Agora, o mais importante é garantir que as máquinas não parem. O que está em jogo é a dignidade dos sertanejos, para que a água seja um direito, e não favor político.

Por Augusto César