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OPINIãO

Flávio Bolsonaro segue como principal adversário de Lula 

Augusto César Por Augusto César
Flávio Bolsonaro segue como principal adversário de Lula 

Foto: Reprodução

Edmar Lyra – A pesquisa do Datafolha divulgada na última sexta-feira mostrou uma inflexão importante na disputa presidencial: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ampliou sua vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro após a repercussão dos áudios envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e o financiamento do filme Dark Horse. Lula subiu de 38% para 40%, enquanto Flávio recuou de 35% para 31% no primeiro turno. No segundo turno, o petista abriu quatro pontos de vantagem, vencendo por 47% a 43%.  

Apesar disso, o impacto político do episódio ficou abaixo do que setores do governo e do próprio mercado político esperavam. A avaliação predominante antes da divulgação era de que o caso “Dark Horse” poderia provocar uma erosão mais profunda na imagem de Flávio, sobretudo pela associação com Daniel Vorcaro e pelo desgaste provocado pelos áudios. No entanto, o levantamento mostra que, embora tenha havido perda de intenção de voto, ela não foi suficiente para desorganizar sua posição no campo oposicionista. A própria Folha registrou que aliados de Lula esperavam uma queda maior do senador, enquanto a equipe de Flávio tratou o movimento como “um arranhão”.  

O dado mais relevante do levantamento talvez esteja justamente fora da oscilação de Lula e Flávio: a incapacidade da chamada terceira via de transformar o desgaste do senador em crescimento consistente. Os votos perdidos por Flávio não migraram de forma expressiva para candidaturas alternativas de centro ou centro-direita, o que indica que o eleitorado oposicionista continua fortemente concentrado no campo bolsonarista. Em outras palavras, mesmo enfraquecido pelo episódio, Flávio segue ocupando sozinho o espaço competitivo contra Lula.  

Esse cenário reforça uma leitura estratégica importante para 2026. O escândalo afetou Flávio, mas não produziu até agora uma substituição viável dentro da oposição. Nem os nomes moderados conseguiram capturar esse eleitorado, nem houve fragmentação significativa da direita. Ao contrário: o levantamento sugere que parte relevante dos eleitores continua enxergando Flávio como o principal polo de enfrentamento ao presidente. Mesmo com Lula abrindo vantagem momentânea, a ausência de crescimento de alternativas fora da polarização mantém o senador, até segunda ordem, como o único adversário nacionalmente competitivo contra o petista.