A política pernambucana vive daqueles momentos em que o vídeo fala mais alto que qualquer nota oficial. Em Araripina, o vice-prefeito Bringel Filho acabou entrando no centro de uma polêmica depois de aparecer declarando apoio ao prefeito do Recife, João Campos, para o Governo de Pernambuco. O problema é que, poucas horas depois, surgiu um novo vídeo com o próprio vice-prefeito mudando completamente o discurso.
Sem nem trocar de roupa, como ironizaram adversários e páginas políticas do Sertão, Bringel afirmou que não tinha compromisso firmado com João Campos e que a decisão sobre o futuro político do grupo seria do prefeito Evilásio Mateus. O movimento gerou repercussão imediata nos bastidores e fortaleceu a leitura de que houve pressão interna dentro do grupo político.
A situação expôs um desconforto evidente dentro da base municipal. Isso porque o primeiro vídeo passou a impressão de que havia um gesto antecipado de alinhamento com João Campos, enquanto o segundo tentou frear qualquer interpretação de rompimento com o Palácio do Campo das Princesas.
Nos bastidores da política sertaneja, a avaliação é de que o episódio enfraqueceu o discurso de autonomia política do vice-prefeito. Em menos de um dia, Bringel saiu de possível articulador de um novo caminho político para alguém obrigado a recalcular a rota diante da repercussão.
Em Pernambuco, política é como rádio antigo: quando o chiado aumenta demais, quase sempre alguém mexeu na frequência.

Por Augusto César