O debate sobre a saúde pública em Pernambuco voltou ao centro da política estadual após aliados de João Campos intensificarem ataques contra a gestão da governadora Raquel Lyra usando a situação do Hospital da Restauração como discurso político. Porém, críticos do PSB afirmam que o partido tenta apagar da memória da população os anos de abandono enfrentados pela principal emergência pública do Estado durante o governo de Paulo Câmara.
Relatórios e fiscalizações mostram que o Hospital da Restauração enfrentou sucessivos episódios de superlotação, pacientes nos corredores, infiltrações, falta de leitos e estrutura precária ainda durante os governos do PSB. Entidades médicas chegaram a classificar a situação da unidade como uma “catástrofe anunciada”.
Em 2022, ainda na gestão de Paulo Câmara, denúncias apontavam placas de gesso desabando, corredores lotados e pacientes enfrentando atendimento em condições críticas. Já em 2023, imagens da unidade mostravam macas espalhadas pelos corredores e infraestrutura próxima do colapso.
Mesmo após anos de comando do PSB em Pernambuco, o partido agora tenta atribuir exclusivamente os problemas da saúde à atual gestão estadual. Nesta semana, aliados de João Campos apresentaram um relatório criticando a situação da rede hospitalar do Estado, incluindo o Hospital da Restauração.
A governadora Raquel Lyra rebateu as críticas e afirmou que herdou uma rede sucateada após anos sem investimentos estruturais adequados. Segundo a gestora, Pernambuco vive atualmente o maior ciclo de investimentos da saúde pública estadual, incluindo reformas no próprio Hospital da Restauração.
Recentemente, uma fiscalização do Cremepe apontou que o HR chegou a operar com 303% de ocupação, situação agravada pelas obras estruturais em andamento. Apesar disso, o governo estadual afirma que está promovendo a maior requalificação já realizada na unidade, com investimentos milionários em infraestrutura e modernização.

Por Augusto César