Poucos artistas são capazes de forjar uma obra tão cheia de Brasis quanto João Bosco. O país que aparece em seus arranjos é feito de samba-jazz, bossa-nova, ijexá e ancestralidade afro-indígena, tudo isso costurado por um cancioneiro de forte denúncia social e política. Parece coisa demais para um violão só sustentar, mas sob o comando do músico mineiro o instrumento ganha o peso de uma orquestra inteira.
Perto de ser o mais novo octogenário da MPB, em 13 de julho, ele busca mostrar que a idade não freou o entusiasmo de sua arte no show “João Bosco Quarteto”, neste sábado (30), às 21h, no Teatro Guararapes. Os últimos ingressos estão disponíveis a partir de R$ 90, no site Cecon Tickets.
O êxtase de João Bosco pela música ajuda a explicar como sua longevidade resultou em uma discografia monumental com mais de 30 álbuns lançados. Mas essa relação não se limita ao dedilhar das cordas. Também aparece no modo como o artista pensa, elabora e fala quando o assunto é o seu ofício.
Na coletiva de imprensa que contou com a presença do Diario, qualquer pergunta parecia abrir caminho para uma nova lembrança, uma referência ou uma reflexão, em uma conversa que foi contida apenas pelo limite do tempo. “Eu tenho dentro de mim um desejo enorme por fazer música e por ir atrás dela”, afirma.
O jejum de três anos sem encontrar os fãs pernambucanos fez João Bosco calibrar o repertório para saciar o desejo da plateia pelos sucessos que marcaram gerações em novelas como “O Astro” (1977), “Vale Tudo (1988) e “Por Amor” (1997).
Quando se trata de um cancioneiro profundamente brasileiro, o Nordeste costuma ter sua assinatura. Não é diferente com João Bosco, que regravou o clássico “Forró em Limoeiro”, do paraibano Jackson do Pandeiro, e não esconde o quanto se derrete pela riqueza cultural de Pernambuco. “É um lugar artisticamente privilegiado, como a Bahia”, diz.
Para ele, o estado foi um pólo irradiador da música nordestina, especialmente pela força das rádios locais, por onde passaram nomes como Hermeto Pascoal e Sivuca. “Mesmo tendo origem em outros estados nordestinos, muitos músicos terminaram desaguando no Recife”, completa.

Por Augusto César