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OPINIãO

A hora de Eduardo da Fonte na disputa pelo Senado 

Augusto César Por Augusto César
A hora de Eduardo da Fonte na disputa pelo Senado 

Foto: Divulgação

Desde que conquistou seu primeiro mandato na Câmara dos Deputados, em 2006, Eduardo da Fonte construiu uma trajetória marcada pela regularidade eleitoral. Foram cinco vitórias consecutivas nas urnas, consolidando seu nome entre os principais quadros da política pernambucana. Em duas oportunidades, porém, esteve próximo de disputar o Senado Federal. Em 2014 e 2018, chegou a ensaiar movimentos nessa direção, mas optou por buscar a reeleição à Câmara. O cenário de 2026, entretanto, apresenta características distintas. Com duas vagas em disputa para o Senado, a eleição amplia o espaço para composições políticas e aumenta as possibilidades de êxito de candidatos com densidade eleitoral, estrutura partidária e presença consolidada no estado. Por isso, a avaliação predominante nos bastidores é que esta pode ser a oportunidade mais favorável de sua carreira para tentar alcançar a Câmara Alta.

A força de Eduardo da Fonte não se limita ao cenário estadual. Como uma das principais lideranças do Progressistas em Pernambuco, acompanhou e participou do fortalecimento nacional do partido ao longo dos últimos anos. Nesse período, viu Arthur Lira chegar à presidência da Câmara dos Deputados, Ricardo Barros e Aguinaldo Ribeiro ocuparem ministérios e Ciro Nogueira consolidar sua trajetória no Senado Federal. Paralelamente, ampliou sua própria influência política. Na última eleição, além de conquistar seu quinto mandato como deputado federal, também viu seu filho, Lula da Fonte, ser eleito para a Câmara dos Deputados, ampliando o espaço político da família no cenário nacional. O conjunto desses fatores reforça a percepção de que Eduardo chega a 2026 em uma posição de destaque dentro da federação União Progressista.

As movimentações recentes do tabuleiro eleitoral também contribuíram para abrir espaço para sua eventual candidatura. A escolha de Túlio Gadelha para uma das vagas ao Senado na chapa da governadora Raquel Lyra provocou uma reorganização das forças políticas e fragmentou setores do campo da esquerda. Ao mesmo tempo, a perspectiva de que o PL não apresente candidatura própria ao Senado criou uma nova configuração para a disputa, deixando parte do eleitorado sem uma referência definida na corrida pelas duas vagas. Nesse contexto, o nome indicado pela federação União Progressista ganha relevância estratégica. E os números mais recentes reforçam essa leitura: pesquisa Datafolha divulgada nesta semana apontou Eduardo da Fonte com 22% das intenções de voto para o Senado, desempenho expressivo para alguém que jamais disputou um cargo majoritário.

Além das variáveis eleitorais e partidárias, há um elemento político que fortalece sua posição nas negociações para a formação da chapa governista. Durante os quatro anos da atual gestão estadual, Eduardo da Fonte foi um dos principais sustentáculos da base de apoio na Assembleia Legislativa de Pernambuco, por meio de uma bancada numerosa e influente. Esse peso político naturalmente o credencia a reivindicar espaço na composição majoritária. Evidentemente, a definição final dependerá de acordos partidários, pesquisas e da evolução do cenário até 2026. Ainda assim, olhando para seu histórico eleitoral, para o momento vivido pela federação e para a configuração atual da disputa, poucos nomes reúnem tantos fatores favoráveis quanto Eduardo da Fonte para ocupar a vaga da União Progressista na corrida pelo Senado Federal pela chapa de reeleição da governadora Raquel Lyra.