Muito antes do Palácio do Campo das Princesas se tornar o centro do poder político de Pernambuco, outro palácio dominava a paisagem do Recife. Imponente, cercado por jardins exóticos, torres monumentais e frequentado por cientistas, artistas e governantes, o Palácio de Friburgo foi uma das construções mais sofisticadas das Américas no século XVII.
Erguido entre 1640 e 1642 por Maurício de Nassau, durante o período da ocupação holandesa, o edifício ficava exatamente na região onde hoje estão a Praça da República, o Teatro de Santa Isabel e o Palácio do Campo das Princesas. Era dali que Nassau administrava a então chamada Cidade Maurícia, considerada uma das experiências urbanas mais avançadas do continente naquele período.
Conhecido como “Palácio das Torres”, o Friburgo possuía duas estruturas que chamavam a atenção de quem chegava ao Recife. Uma delas funcionava como farol para orientar embarcações. A outra servia como observatório astronômico, apontado por historiadores como um dos primeiros do Hemisfério Sul.
Mas o luxo não estava apenas na arquitetura. O entorno do palácio abrigava um grande jardim botânico e zoológico, com espécies de animais e plantas catalogadas por estudiosos trazidos por Nassau. O espaço se transformou em um importante centro de pesquisa sobre a fauna e a flora brasileiras.
Artistas como Frans Post e Albert Eckhout registraram o palácio em pinturas que hoje ajudam historiadores a reconstruir a aparência daquela joia arquitetônica.
Com a expulsão dos holandeses, o edifício perdeu importância, foi utilizado para diferentes funções e acabou demolido. Nenhuma estrutura resistiu ao tempo.
Ainda assim, mais de três séculos depois, o Palácio de Friburgo continua despertando fascínio. Não apenas pela sua grandiosidade, mas porque simboliza uma cidade que desapareceu fisicamente, embora permaneça viva sob as camadas da história do Recife.

Por Augusto César