A entrega do título de cidadão paulistense a João Campos, e a homenagem a outras lideranças da frente popular tinha tudo para se transformar em uma demonstração de força política em Paulista.
Mas a imagem deixada pelo evento foi bem diferente.
Realizada em uma casa de eventos com capacidade para cerca de 300 pessoas, a solenidade reuniu lideranças políticas importantes, como o presidente da Assembleia Legislativa, Álvaro Porto, a deputada federal Iza Arruda e representantes de municípios da Região Metropolitana. Ainda assim, a recepção ficou abaixo do que se esperava para um ato que buscava projetar o palanque de João Campos na cidade das chaminés.
Entre os vereadores presentes estavam Jonas da Prestação, Marcelly da Aquarela, João Pereira, Robertinho, George Freitas e Fabiano Paz. O número chama atenção porque, somando a força política dos parlamentares que compareceram, era esperado um público muito maior. Afinal, seis vereadores em atividade representam uma parcela significativa da representação política do município.
Praticamente nada mudou no campo político. O grupo reunido é essencialmente o mesmo que esteve ao lado de Júnior Matuto na última eleição municipal e que acabou derrotado nas urnas por Severino Ramos.
Mudou o objetivo eleitoral, mas os personagens continuam os mesmos. São as mesmas lideranças, os mesmos articuladores e o mesmo agrupamento político tentando construir um novo discurso para 2026.
O contraste ficou ainda mais evidente porque o evento contou com a presença de militância de outras cidades, o que reforçou a percepção de que a mobilização de Paulista não correspondeu. O evento foi feito em uma casa que cabe apenas 300 pessoas, se a expectativa era demonstrar força, faltou a presença dos moradores do município, tiveram medo de colocar em um local maior.
A principal notícia talvez não tenha sido a entrega do título. Foi a constatação de que o palanque de João Campos em Paulista continua praticamente o mesmo da última eleição.
Alianças podem ser reconstruídas, discursos podem ser renovados, mas as fotografias raramente escondem a memória das urnas. E a fotografia de ontem lembrou muito a eleição passada.

Por Augusto César