Cantor e sanfoneiro Flávio José (Foto: Reprodução/Redes Sociais)
O cantor e sanfoneiro paraibano Flávio José anunciou, em um comentário publicado no Instagram, que não vai participar mais do São João da Bahia deste ano, após recusar um acordo com o Ministério Público (MP-BA) sobre o valor de seu cachê no estado.
O impasse começou após o órgão questionar o reajuste de seu contrato, que saltou de R$ 250 mil, em 2025, para R$ 350 mil, em 2026, representando uma alta de 40%. O caso reacendeu o debate sobre a desvalorização do forró tradicional nos polos juninos, enquanto astros do sertanejo e do piseiro recebem supercachês milionários.
“Às vésperas da maior festa cultural do Nordeste, recebi a notícia de que o MP da Bahia resolveu diminuir o meu cachê. Enquanto isso, outros artistas que não têm relação com o forró ganham rios de dinheiro. Isso é de um desrespeito sem tamanho. Por esse motivo, não irei à Bahia este ano. É lamentável”, escreve o artista. Em sinal de protesto, ele cancelou 15 shows que faria nos festejos juninos baianos.
Em nota enviada à imprensa, o MP-BA justificou que as recomendações sobre os cachês são baseadas em critérios técnicos, como projeção artística e notoriedade. No caso de Flávio José, o monitoramento ocorreu devido ao reajuste de seu cachê em relação a 2025.
Em Pernambuco, Wesley Safadão opera em um patamar financeiro ainda mais elevado. Mesmo que seja reconhecido como um representante do forró eletrônico, o artista ampliou seu público ao combinar o estilo com sertanejo, arrocha e piseiro, sendo enquadrado fora do forró tradicional.
Neste ano, seu cachê em Caruaru inflou 25%, subindo de R$ 1,1 milhão, em 2025, para R$ 1,5 milhão, em 2026. Esse acréscimo de R$ 400 mil assegura ao cantor o título de atração mais cara de todo o evento pelo segundo ano consecutivo.
Um levantamento realizado pelo Diario no Painel de Transparência dos Festejos Juninos do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) constatou que metade dos contratos de artistas do forró vão até R$ 50 mil. Em contrapartida, metade das atrações de outros estilos musicais mais comerciais garantiram contratos acima de R$ 180 mil.

Por Augusto César