As declarações do prefeito de Surubim, Cléber Chaparral, sobre uma possível mudança de palanque caso Miguel Coelho fique fora da chapa majoritária da governadora Raquel Lyra parecem, neste momento, fazer parte muito mais de uma estratégia de pressão política do que de um movimento com chances reais de se concretizar.
Chaparral construiu sua força política em parceria com a governadora e hoje comanda um dos principais grupos políticos de Surubim, além de contar com prefeitos aliados na região. Sua esposa, Juliana de Chaparral, ex-prefeita de Casinhas e pré-candidata a deputada federal, também possui um projeto político diretamente ligado à manutenção dessa aliança.
Mesmo que a federação União Progressista continue defendendo a candidatura de Miguel Coelho ao Senado, isso não significa, necessariamente, um rompimento com Raquel Lyra. Se Miguel ficar fora da chapa, a tendência é que a federação permaneça no palanque da governadora, apoiando sua reeleição e o candidato ao Senado definido pela base governista.
Nesse cenário, o movimento de Chaparral serve muito mais como instrumento de negociação. Ao elevar o tom, ele aumenta a pressão para que Miguel Coelho seja contemplado na chapa ou oferece à governadora um argumento adicional nas negociações internas sobre o peso político que o grupo de Surubim representa.
Por outro lado, um rompimento teria um custo político elevado. Além de contrariar toda a trajetória construída ao lado de Raquel Lyra, colocaria em risco o projeto eleitoral de Juliana de Chaparral para a Câmara Federal, que depende da unidade e da estrutura do grupo político governista.
Nos bastidores, a leitura predominante é que se trata de um blefe. Faz parte do processo de negociação por espaço na chapa majoritária. Já uma mudança efetiva de palanque exigiria romper uma aliança construída ao longo dos últimos anos e enfrentar consequências políticas que, neste momento, parecem pouco vantajosas para o grupo de Cléber Chaparral.

Por Augusto César