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ELEIçõES 2026

PL aposta em Clarissa Tércio para ampliar alcance eleitoral de Flávio Bolsonaro

Augusto César Por Augusto César
PL aposta em Clarissa Tércio para ampliar alcance eleitoral de Flávio Bolsonaro

Foto: Divulgação

Por Edmar Lyra

A possível escolha de Clarissa Tércio como vice na chapa encabeçada por Flávio Bolsonaro revela um movimento estratégico do PL que dialoga diretamente com um dos principais desafios da direita brasileira: ampliar sua penetração eleitoral no Nordeste. A região, historicamente alinhada ao PT, tem resistido às investidas conservadoras em disputas presidenciais, mesmo com o crescimento de lideranças locais identificadas com pautas religiosas e de costumes. Ao cogitar uma parlamentar que combina forte votação, identidade evangélica e atuação em temas sociais específicos, o partido tenta construir uma ponte entre sua base ideológica e um eleitorado ainda majoritariamente refratário.

Nesse contexto, o perfil de Clarissa Tércio atende a critérios claros. Sua expressiva votação no Nordeste a coloca como um ativo eleitoral relevante, sobretudo em Pernambuco, estado simbólico na política nacional e tradicional reduto petista. Além disso, sua vinculação à Igreja Assembleia de Deus e o capital político derivado dessa relação reforçam a aposta no voto evangélico, segmento que tem demonstrado crescente capacidade de mobilização. Ao mesmo tempo, o PL parece buscar uma composição que reproduza, em alguma medida, o modelo que ganhou visibilidade com Michelle Bolsonaro, cuja atuação em pautas inclusivas ajudou a suavizar a imagem do bolsonarismo junto a determinados públicos.

Outro elemento relevante é a tentativa de contraposição simbólica a nomes como Natália Bonavides, que representam a força do campo progressista na região. Ao escolher uma mulher com forte identidade religiosa e discurso voltado a pautas sociais específicas, como o autismo, o PL procura disputar narrativas em áreas onde tradicionalmente encontra dificuldades. Trata-se de uma estratégia que vai além da aritmética eleitoral e busca reposicionar a imagem do grupo político, agregando elementos de sensibilidade social e proximidade com demandas concretas da população.

Ainda assim, a eventual consolidação dessa escolha dependerá de variáveis mais amplas do cenário político nacional. A definição de alianças, o desempenho do governo federal, o ambiente econômico e a capacidade de transferência de votos serão fatores determinantes. A presença de Clarissa Tércio na chapa pode ampliar o alcance regional e dialogar com nichos específicos, mas também exigirá equilíbrio para não limitar o discurso a segmentos muito definidos. Em um país de dimensões continentais e clivagens políticas profundas, a construção de uma candidatura competitiva passa necessariamente pela capacidade de unificar diferentes agendas — e é nesse ponto que a escolha do vice deixa de ser apenas simbólica para se tornar peça central na estratégia eleitoral.

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