Foto: Ricardo Stuckert
EDMAR LYRA – A convenção nacional do PSB, que homologou o vice-presidente Geraldo Alckmin como candidato à reeleição na chapa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, produziu um dos gestos políticos mais relevantes para a sucessão estadual em Pernambuco até o momento. Em seu discurso, Lula foi além de tratar da composição nacional e fez uma referência direta ao ex-prefeito do Recife, João Campos, afirmando que será reeleito presidente da República e que, em Pernambuco, apoiará a candidatura do socialista ao Governo do Estado. A declaração representa mais do que um cumprimento protocolar entre aliados históricos: sinaliza, de forma pública e inequívoca, o engajamento do principal cabo eleitoral do estado na campanha do herdeiro político de Eduardo Campos.
O movimento tem peso considerável porque Lula atravessa um dos seus melhores momentos de popularidade em Pernambuco. Desde as eleições de 2006, o presidente consolidou uma relação política singular com o eleitorado pernambucano, mantendo índices de aprovação e intenção de voto superiores à média nacional. Em um estado onde sua influência frequentemente extrapola as fronteiras da disputa presidencial, o apoio explícito do petista tende a produzir efeitos importantes na corrida pelo Palácio do Campo das Princesas. Embora a governadora Raquel Lyra tenha assumido a liderança nas pesquisas mais recentes para o Governo do Estado, o envolvimento direto de Lula acrescenta um ingrediente de grande relevância à disputa e fortalece a estratégia de João Campos de nacionalizar sua campanha ao lado do presidente.
O gesto também não surgiu de forma isolada. Há poucos dias, durante um evento do PSB em Gravatá, Lula apareceu em um vídeo enviado aos participantes, reafirmando sua proximidade com João Campos e destacando a parceria construída entre o PT e o PSB. Agora, ao mencionar nominalmente o socialista durante a convenção nacional, o presidente eleva o tom do apoio e praticamente inaugura sua participação na disputa estadual. Embora a campanha eleitoral ainda esteja em fase inicial, a mensagem emitida por Lula deixa pouca margem para dúvidas quanto ao lado que pretende fortalecer em Pernambuco, reforçando uma aliança que remonta aos tempos de Eduardo Campos e que foi reconstruída nos últimos anos após um período de distanciamento entre as duas legendas.
Para Raquel Lyra, o cenário evidencia que a disputa tende a ganhar contornos cada vez mais nacionalizados. A governadora buscará transformar em votos o capital político acumulado ao longo do mandato e a vantagem registrada nas pesquisas recentes, enquanto João Campos contará com o peso eleitoral do presidente da República para ampliar sua competitividade. A sucessão pernambucana, portanto, deverá reunir dois dos principais ativos políticos do estado: de um lado, a força da máquina administrativa e o desempenho da gestão estadual; de outro, o respaldo do presidente mais influente entre o eleitorado pernambucano. O aceno de Lula ao socialista, feito diante das principais lideranças do PSB, reforça que Pernambuco será um dos estados estratégicos para o projeto de reeleição presidencial em 2026 e que a disputa local terá reflexos diretos no cenário nacional.

Por Augusto César