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OPINIãO

O PT perdeu sua identidade

Augusto César Por Augusto César
O PT perdeu sua identidade

NILL JÚNIOR – No comentário das 12h desta quarta-feira (29/07) para Itapuama FM, o jornalista Nill Júnior analisou os desdobramentos da crise interna no Partido dos Trabalhadores em Pernambuco e afirma que a legenda perdeu sua identidade política no estado.

A recente polêmica provocada pelas declarações de Osmar Ricardo, presidente do PT do Recife que declarou apoio à governadora Raquel Lyra e criticou duramente João Campos, o PSB e petistas, expõe uma crise profunda de posicionamento no partido.

Mais que isso, mostra que o PT virou um ajuntamento pragmático, fisiológico, sem preocupação ideológica ou histórica,  entre os que apostam na vitória de João Campos e querem se agarrar a ele, e os que acreditam na vitória de Raquel Lyra e buscam espaço no governo estadual, nos dois casos, pela ótica da velha política.

Ausência de pauta e debate: a essência histórica do PT voltada para o debate de ideias, causas sociais e a defesa dos trabalhadores foi substituída por um pragmatismo focado apenas em acomodação de cargos e espaços. Briga entre ser sublegenda do PSB de João ou do PSD de Raquel.

Claro, há exceções como Teresa Leitão, Fernando Ferro e outros. Mas o partido se apequenou: não lança candidaturas majoritárias de peso no estado desde Humberto Costa em 2006 e mantém uma bancada pequena e dividida na Assembleia Legislativa.

O reflexo dessa falta de rumo se reflete no baixo número de prefeitos petistas em Pernambuco (quatro alinhados a Raquel e dois a João Campos, mostrando a perda de força da legenda nos municípios.

Para o jornalista, o problema não se resume a nomes isolados, mas sim ao papel secundário e fisiológico que o PT aceitou desempenhar no estado. De partido altivo, a sigla passou a agir como sublegenda ora do PSB, ora de Raquel Lyra, apequenando-se diante de sua própria história.