Uma rede de 535 perfis falsos foi montada para atacar sistematicamente a governadora Raquel Lyra (PSD) e promover o pré-candidato João Campos (PSB) nas redes sociais. O levantamento, feito pela campanha do PSD e protocolado nesta sexta-feira (31) no Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE), aponta que a estrutura tinha características técnicas de operação coordenada e inautêntica.
Dos 535 perfis identificados, 525 foram classificados como “confirmados”. Quase 90% deles, exatamente 481 contas, já foram suspensos, apagados ou removidos pelas próprias plataformas. Segundo o material entregue à Justiça Eleitoral, 100% da amostra analisada atuava no mesmo sentido: criticar a gestão estadual e enaltecer João Campos.
Os sinais de coordenação
1- O relatório técnico aponta uma série de padrões que, cruzados, tornam improvável a hipótese de engajamento espontâneo:
2- Publicações idênticas, palavra por palavra, saindo de contas sem relação aparente entre si;
3- Disparos sincronizados, com diferença de minutos entre posts e comentários;
4- Resíduos de geração automática de texto (incluindo erros característicos de sistemas de tradução ou IA);
5- Criação em lote: 301 dos 535 perfis apareceram na base no mesmo dia (28 de maio de 2026);
6- Contas com “casca humana” (foto e biografia aparentes), mas com poucos seguidores e, na maioria dos casos, fechadas.
O documento destaca que 74% dos perfis apresentavam dois ou mais desses marcadores ao mesmo tempo. A taxa de queda em massa pelas plataformas é citada como confirmação independente de que se tratava de comportamento inautêntico.
O que o PSD pede
Na peça protocolada no TRE-PE e na Procuradoria Regional Eleitoral, o partido pede a preservação de dados junto às plataformas e operadoras. O objetivo é impedir a destruição de evidências e permitir a identificação dos responsáveis.
A denúncia trata os 535 perfis como uma máquina de disseminação montada para influenciar o debate eleitoral de 2026.

Por Augusto César