Da Redação – Um dia após o anúncio do rompimento com o presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco, deputado Álvaro Porto (MDB), a candidata ao Senado, Marília Arraes (PDT), já começa a sentir o efeito. Lideranças de pelo menos 17 municípios, incluindo cinco prefeitos, declararam que também não irão apoiá-la. E o “motim” tende a crescer nos próximos dias.
Nessa primeira leva, estão os prefeitos Josafá Almeida (São Caetano), Sandra Paes (Canhotinho), Duda Lira (Cupira), Erivaldo Chagas (Lajedo) e César Freitas (Sanharó), que anunciaram rompimento com Marília. Completam a lista lideranças de cidades como Olinda, Caruaru, Paulista, Água Preta, Sertânia, Catende, Palmares, Quipapá, Capoeiras, Exu, Lagoa de Itaenga, Lagoa dos Gatos e Panelas.
O grupo segue a orientação de Álvaro e seu filho Gabriel Porto (PSB), candidato a deputado federal, que em nota conjunta anunciaram o rompimento com Marília. A dupla acusa a candidata ao Senado de não cumprir compromissos políticos assumidos anteriormente. O estopim foi a confirmação de Abel Neto (PSB) como primeiro suplente, posição que teria sido combinada anteriormente que seria indicação de Álvaro Porto. Abel é ligado ao prefeito do Cabo de Santo Agostinho, Lula Cabral (PSB).
Apesar do rompimento com Marília, o grupo liderado por Álvaro Porto frisa que segue apoiando o primo dela, João Campos (PSB), candidato a governador de Pernambuco.
O rompimento do presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco, Álvaro Porto (MDB), com a candidata ao Senado pela Frente Popular, Marília Arraes (PDT), teve as digitais do ex-prefeito e candidato a governador João Campos (PSB). O socialista, presidente nacional da sigla, avalizou a iniciativa de Porto para enfraquecer a pedetista, sua prima e ex-rival.
A iniciativa explicita algo que todas as rodas de política pernambucana já sabem: João não quer a eleição de Marília. E vice-versa. Está no DNA de ambos.
João sabe que se a prima for vitoriosa, vai querer disputar a Prefeitura do Recife em 2028 contra seu aliado, Victor Marques (PCdoB), e até o Governo de Pernambuco em 2030. E se ele perder, o cenário piora, pois ela iria querer assumir o controle das oposições e tirar seu protagonismo. Ou seja, feriria suas ambições e seu ego, ambos incontroláveis.
Para Marília, a oportunidade é única de se alçar a liderança caso o primo perca. Uma vitória de João para governador travaria suas ambições e seu ego, ambos igualmente incalculáveis.
O rompimento de Álvaro Porto e as acusações de que Marília não honraria compromissos foram minuciosamente colocados como parte dessa estratégia. Possivelmente novos planos de destruição estão sendo construídos. Como diz o velho ditado, “farinha pouca, meu pirão primeiro”. Só nos resta esperar, pois essa disputa de espaço não traz nenhuma migalha ao povo.

Por Augusto César