Foto: Ricardo Stuckert
ADRIANO OLIVEIRA – Hoje começa oficialmente o período eleitoral. A pergunta entre os que consomem política é: quem vencerá a eleição? Afirmo que o presidente Lula e a governadora Raquel Lyra são favoritos. Não acho isso. São as evidências que me levam a fazer esta previsão. Obviamente, cisnes negros podem surgir durante a campanha, ou seja, eventos inesperados; ou os candidatos podem errar nas estratégias. Todavia, o momento atual de ambos os governantes os coloca como favoritos.
A eleição presidencial, de acordo com as pesquisas qualitativas da Cenário Inteligência, será caracterizada pelo medo. Quem causar menos medo vencerá a eleição. Neste instante, o presidente Lula causa menos medo do que Flávio Bolsonaro. Além disso, o presidente Lula tem melhores histórias para contar do que seu adversário. Sempre friso: campanhas eleitorais eficientes são histórias bem contadas.
Lula comparará o seu governo com o de Jair Bolsonaro. Lembrará aos eleitores o comportamento errático do então presidente durante a pandemia. Mostrará que resgatou as políticas sociais, controlou a inflação, apesar de os eleitores reclamarem da carestia, e falará sobre soberania. Neste tema, que será inédito em campanhas presidenciais, frisará que a família Bolsonaro é aliada de Donald Trump e que ambos agem para prejudicar a economia brasileira. Ressalto que a eleição será acirrada, em particular no segundo turno. Friso ainda que a vitória de Lula no primeiro turno é, neste instante, um cenário remoto.
Por sua vez, a governadora Raquel Lyra é favorita para vencer a eleição no primeiro turno. Em dezembro de 2025, neste espaço, apresentei a seguinte tese: se, na eleição de 2026, a governadora Raquel Lyra estivesse com alta reprovação, o sentimento predominante entre os eleitores seria a esperança. Nesse caso, João Campos seria o favorito a vencer. Caso o governo Raquel estivesse aprovado, o sentimento seria o de seguir em frente. As pesquisas qualitativas da Cenário Inteligência revelam que o desejo intenso do eleitorado pernambucano é seguir em frente. E existe outro: “A governadora teve pouco tempo para trabalhar e poderá fazer mais”.
Outro ponto: considerando as míopes pesquisas de intenção de voto, que revelam muito pouco sobre os desejos dos eleitores, João Campos teve forte declínio entre o início de 2025 e o momento atual. Portanto, o declínio ocorreu antes do início oficial da campanha eleitoral. A dúvida é se persistirá, ficará estável ou se ele se recuperará. Não considero esta última opção forte, pois a avaliação da governadora Raquel Lyra segue quantitativamente alta e qualitativamente intensa. Por fim, a estadualização da campanha será intensa. Como mostram as pesquisas da Cenário realizadas em vários estados, parte majoritária do eleitorado levará em consideração o trabalho dos governos, e não o lulismo e o bolsonarismo.
(*) Adriano Oliveira – Cientista político. Professor da UFPE. Fundador da Cenário Inteligência: Método Qualitativo SEP & Estratégia

Por Augusto César