Pernambuco vem dando um passo decisivo para superar um dos seus maiores gargalos competitivos: a infraestrutura logística. Com o Programa PE na Estrada, o governo estadual vem realizando um investimento de R$ 5,2 bilhões na execução e recuperação de 2.100 km de rodovias estaduais, abrangendo de ponta a ponta o nosso território — com aportes significativos na Região Metropolitana, Agreste, Zona da Mata e Sertões. Mas o que esse volume de recursos significa, na prática, para a economia real?
Para responder a essa pergunta, desenvolvi um estudo detalhado, utilizando um modelo inter-regional de insumo-produto, focado em estimar os impactos diretos, indiretos e induzidos dessa expressiva injeção de capital. Os resultados são reveladores e comprovam como a construção civil, especialmente o setor de obras pesadas, atua como um poderoso motor de tração econômica.
O estudo aponta que, para cada R$ 1 efetivamente financiado e retido na economia local, deverão ser gerados R$ 1,71 na produção estadual. Assim, o investimento inicial de R$ 5,2 bilhões (que se traduz em uma injeção líquida de R$ 4,14 bilhões após os descontos de vazamentos para o exterior e impostos) se transforma em um Valor Bruto de Produção (VBP) de quase R$ 7,1 bilhões dentro de Pernambuco.
O impacto sobre a geração de riqueza é igualmente expressivo. A estimativa do nosso estudo é que o PE na Estrada promova uma expansão de 3,95% no Produto Interno Bruto (PIB) do estado ao longo do período de execução de obras, que teve início no final de 2024 e continuou em 2025 e, mais forte em 2026. Esse salto não beneficia apenas as empreiteiras. O investimento transborda para toda a cadeia de suprimentos e, ao gerar novos salários, impulsiona fortemente o consumo das famílias, um fenômeno econômico que chamamos de efeito induzido.
No mercado de trabalho, o choque positivo é relevante. O modelo projeta a criação potencial de 141.989 empregos totais em Pernambuco, sendo aproximadamente 94,9 mil vagas diretas, 19,9 mil indiretas e 27,1 mil induzidas durante o período. Para termos dimensão da grandeza desse número, ele representa um aumento de 9,25% em relação a todo o estoque de empregos formais registrados no estado no primeiro semestre de 2026 (que foi de pouco mais de 1,5 milhão de postos). E, do ponto de vista fiscal, a dinamização econômica devolve recursos aos cofres públicos: estimamos um incremento potencial de R$ 328,12 milhões apenas em arrecadação de ICMS, utilizando premissas conservadoras.
Para além das cifras e estatísticas, há ganhos intangíveis e estruturadores. Obras estratégicas contempladas, como o Arco Metropolitano — que receberá R$ 632 milhões em investimentos —, são vitais para dar fluidez e competitividade ao Porto de Suape e ao nosso Polo Industrial. Rodovias requalificadas e seguras significam uma drástica redução de acidentes, menores custos logísticos e de manutenção de frotas, além da melhoria do ambiente de negócios. O PE na Estrada pavimenta, literalmente, a recuperação do setor de infraestrutura e da construção civil pesada e prepara Pernambuco para um novo ciclo de desenvolvimento sustentável e competitivo.

Por Augusto César