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OPINIãO

Raquel Lyra chega à campanha na liderança

Augusto César Por Augusto César
Raquel Lyra chega à campanha na liderança

Foto: Secom-PE

EDMAR LYRA – A governadora Raquel Lyra chega ao início da fase de campanha eleitoral em uma posição que, há poucos meses, parecia distante. A nova pesquisa DataTrends mostra a governadora na liderança da disputa pelo Governo de Pernambuco, com 44% das intenções de voto, contra 35% de João Campos. São nove pontos de vantagem para Raquel, mas o dado mais significativo está na comparação com o levantamento anterior, realizado em maio. Naquela ocasião, João aparecia com 42% e Raquel com 36%, uma diferença de seis pontos a favor do ex-prefeito. Em pouco mais de três meses, a governadora não apenas virou o jogo, como abriu uma vantagem de nove pontos.

A evolução revela uma mudança importante na dinâmica eleitoral. Raquel saiu de uma posição de desvantagem para uma liderança de nove pontos, em um movimento que combina crescimento da governadora e perda de espaço de João Campos. Enquanto Raquel avançou oito pontos percentuais, passando de 36% para 44%, João recuou sete, de 42% para 35%. Não se trata, portanto, apenas de uma oscilação dentro da margem de erro, mas de uma alteração relevante na fotografia da sucessão estadual. É evidente que a campanha ainda está começando e que muitos fatores poderão interferir no cenário, mas a largada de Raquel é consideravelmente mais confortável do que aquela registrada no primeiro semestre.

Outro dado fortalece a posição da governadora: a avaliação de sua administração. Raquel tem 66% de aprovação, contra 29% de desaprovação. O índice é particularmente importante porque transforma a gestão em um ativo eleitoral concreto. Em uma disputa pela reeleição, a capacidade de apresentar realizações, obras e resultados pode ser decisiva para converter avaliação positiva em voto. E a pesquisa indica que, neste momento, existe uma correlação favorável entre a aprovação do governo e o desempenho eleitoral da governadora.

No segundo turno, a vantagem também aparece. Raquel registra 46%, contra 38% de João Campos, oito pontos de diferença. O potencial de voto mostra ainda uma disputa com espaço para movimentação: 31% afirmam que votariam na governadora com certeza e 23% poderiam votar nela. João tem 27% de voto certo e 25% de eleitores que poderiam escolhê-lo. As rejeições são semelhantes, com 38% dizendo que não votariam em Raquel de jeito nenhum e 37% afirmando o mesmo sobre João. Ou seja, apesar da liderança atual, nenhum dos dois possui uma posição consolidada o suficiente para considerar a eleição definida.

O principal fato político da pesquisa, entretanto, é a mudança de cenário. Em maio, Raquel precisava tirar seis pontos de desvantagem para alcançar João Campos. Agora, chega ao início da fase de campanha com nove pontos de dianteira. A governadora conseguiu transformar uma corrida em que aparecia atrás em uma disputa na qual seu principal adversário passou a correr atrás. A partir de agora, a questão será saber se Raquel consegue preservar o crescimento e ampliar sua vantagem ou se João Campos terá força para interromper essa trajetória. A campanha começa, portanto, sob uma nova realidade: quem precisava reagir agora lidera.