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RELIGIãO

Voltar o Rosto

Augusto César Por Augusto César
Voltar o Rosto

Jeremias 44.11
A expressão “Eis que voltarei o rosto contra vós outros para mal” (Jr 44.11) é uma das declarações mais solenes do juízo divino. “Voltar o rosto contra” significa que Deus dirige sua ação judicial contra aqueles que persistem em rebelião. O “mal” aqui não significa maldade moral em Deus, mas calamidade e juízo decorrentes de sua santa justiça. Judá havia desprezado repetidamente a Palavra do Senhor e persistido deliberadamente na idolatria. Assim, o maior problema do povo já não era a Babilônia, o Egito ou qualquer outra ameaça, mas ter o próprio Deus contra eles.
Essa expressão ganha ainda mais força quando comparada à bênção sacerdotal: “O SENHOR faça resplandecer o rosto sobre ti e tenha misericórdia de ti; o SENHOR sobre ti levante o rosto e te dê a paz” (Nm 6.25-26, ARA). Há uma diferença de nuance entre as expressões. Levantar o rosto sobre alguém comunica favor, acolhimento, benevolência e paz; fazer resplandecer o rosto comunica graça e misericórdia; mas voltar o rosto contra alguém comunica oposição e juízo. Em Jeremias 44 ocorre, portanto, o terrível inverso da bênção: o Deus que levanta o rosto para abençoar também pode voltar o rosto contra aqueles que obstinadamente rejeitam sua Palavra.
Lição de vida: Nossa maior bênção não é ter circunstâncias favoráveis, mas ter o rosto de Deus levantado sobre nós em graça; nossa maior calamidade não é enfrentar circunstâncias adversas, mas ter o rosto de Deus voltado contra nós em juízo.

4ª Igreja Presbiteriana de Garanhuns
Garanhuns, 21 de agosto de 2026

Texto para leitura anual: Jeremias 43-45

A obra de Deus exige fidelidade

Jeremias 48.10
Jeremias 48.10 está inserido na profecia do juízo de Deus contra Moabe. Nesse contexto, a “obra do SENHOR” não se refere diretamente ao ministério pastoral, à pregação ou ao serviço comum na igreja, mas à execução do juízo divino contra Moabe. Deus havia determinado seu julgamento, e aqueles que fossem instrumentos desse juízo não deveriam executar a tarefa de maneira negligente ou incompleta. A expressão “Maldito aquele que fizer a obra do SENHOR relaxadamente!” enfatiza que aquilo que Deus ordena deve ser cumprido conforme sua vontade, sem omissão, negligência ou alteração.
A segunda afirmação, “Maldito aquele que retém a sua espada do sangue!”, precisa ser entendida nesse mesmo contexto de juízo, e não como autorização geral para violência. A espada representa o instrumento pelo qual seria executada a sentença determinada por Deus contra Moabe. Embora o texto tenha uma aplicação histórica específica, dele podemos extrair um princípio legítimo: não devemos tratar com negligência aquilo que Deus claramente nos confiou.
Lição de vida: Servir ao Senhor exige fidelidade àquilo que Ele ordenou. Não nos cabe modificar, suavizar ou negligenciar sua vontade, mas cumprir com seriedade aquilo que Deus nos confiou, sempre de acordo com sua Palavra.

4ª Igreja Presbiteriana de Garanhuns
Garanhuns, 22 de agosto de 2026

Texto para leitura anual: Jeremias 46-48