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EDMAR LYRA – A eleição para o Senado em Pernambuco chega à reta decisiva sem que seja possível apontar favoritos absolutos para as duas vagas em disputa. Faltando cerca de 40 dias para a eleição, Marília Arraes, Humberto Costa, Eduardo da Fonte e Mendonça Filho aparecem competitivos e transformam a corrida numa das disputas mais imprevisíveis do estado. Os números captados por DataTrends e Datafolha reforçam a percepção de que ninguém pode se considerar eleito — e tampouco pode ser descartado.
Humberto Costa carrega o peso de uma trajetória marcada por disputas majoritárias, muitas delas em circunstâncias difíceis para o PT. Durante décadas, o partido não conseguiu eleger um senador por Pernambuco. O cenário mudou com a eleição de Humberto, que posteriormente conquistou a reeleição em 2018. Entre essas duas vitórias, o PT tentou eleger João Paulo em 2014, sem sucesso, e mais recentemente conseguiu levar Teresa Leitão ao Senado. A sequência de resultados criou a percepção de que a força eleitoral do lulismo em Pernambuco seria suficiente para praticamente assegurar uma cadeira petista. Em 2026, porém, essa tese está sendo colocada à prova.
Humberto continua competitivo e possui ativos importantes, sobretudo sua vinculação histórica ao presidente Lula e a estrutura do PT. Mas os levantamentos mostram que sua eleição está longe de ser automática. O senador aparece inserido diretamente no mesmo bloco de Marília Arraes, Eduardo da Fonte e Mendonça Filho. Marília, por sua vez, já não apresenta a mesma vantagem que chegou a ostentar anteriormente. Depois das derrotas nas eleições majoritárias para a Prefeitura do Recife, em 2020, e para o Governo de Pernambuco, em 2022, ela entra em mais uma disputa estadual carregando elevado recall, mas tendo perdido parte da gordura eleitoral que lhe permitia largar à frente dos adversários.
Do outro lado, Eduardo da Fonte e Mendonça Filho mostram capacidade de crescimento justamente depois de entrarem mais tarde na corrida. Ambos já alcançaram dois dígitos nos levantamentos e possuem estruturas políticas capazes de impulsioná-los durante a campanha. Eduardo aposta na força da União Progressista, na proximidade com a governadora Raquel Lyra e numa extensa rede de prefeitos e lideranças municipais. Mendonça, por sua vez, deverá explorar sua identificação com o eleitorado de direita e a força do bolsonarismo, especialmente quando a campanha nacional ganhar maior intensidade e a eleição presidencial passar a influenciar diretamente as disputas estaduais.
A combinação desses fatores torna a eleição para o Senado uma verdadeira corrida de resistência. Marília tem recall, Humberto possui Lula e a tradição petista, Eduardo reúne estrutura partidária e capilaridade municipal, enquanto Mendonça dispõe de experiência e de um eleitorado ideologicamente identificado. Com duas vagas disponíveis e quatro candidaturas efetivamente competitivas, pequenas oscilações poderão produzir grandes mudanças na classificação. A 40 dias das urnas, portanto, a única conclusão segura é que a disputa pelo Senado está completamente aberta. Todos estão no jogo — e ninguém pode cantar vitória antecipadamente.

Por Augusto César