EDMAR LYRA – A nova pesquisa Quaest, divulgada nesta segunda-feira, confirma o elevado equilíbrio da disputa presidencial e apresenta um dado importante para compreender a movimentação das últimas semanas: o comportamento dos eleitores independentes. Lula mantém a liderança numérica no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro aparece numericamente à frente no segundo, mas as diferenças estão dentro da margem de erro.
No primeiro turno, Lula registra 37% contra 33% de Flávio. Augusto Cury aparece com 6%, Ronaldo Caiado com 4%, Renan Santos com 3% e Romeu Zema com 1%. Os indecisos representam 8% e brancos, nulos ou aqueles que não pretendem votar em ninguém somam 7%. Na comparação com a rodada anterior, Lula oscilou de 36% para 37%, enquanto Flávio passou de 31% para 33%. A distância entre os dois, portanto, diminuiu de cinco para quatro pontos.
No segundo turno, o equilíbrio é ainda maior. Flávio Bolsonaro registra 42% contra 41% de Lula. Na pesquisa anterior, eram 42% a 40%. Flávio permaneceu no mesmo patamar, enquanto Lula oscilou positivamente um ponto, fazendo a diferença numérica cair de dois para apenas um ponto. Pelos números da Quaest, trata-se de empate técnico.
Mas é entre os independentes que aparece uma das transformações mais relevantes da campanha. Atualmente, Flávio tem 34% contra 26% de Lula nesse segmento. Na semana anterior eram 36% a 26%. A vantagem numérica de Flávio diminuiu de dez para oito pontos, mostrando que ele não continuou avançando nesta rodada, mas preservou grande parte do terreno conquistado nas semanas anteriores.
O contraste com julho ajuda a dimensionar a mudança. Naquele momento, Lula tinha 40% dos independentes contra apenas 27% de Flávio, vantagem de treze pontos. Em agosto, a diferença caiu para 33% a 30%. No início de setembro, Flávio passou numericamente à frente por 32% a 28% e, posteriormente, chegou aos 36% contra 26% registrados na semana passada.
De julho para cá, portanto, Lula passou de 40% para 26% entre os independentes, enquanto Flávio saiu de 27% para 34%. O saldo relativo entre os dois sofreu uma alteração de 21 pontos: saiu de treze pontos numericamente favoráveis a Lula para oito favoráveis a Flávio. É uma mudança expressiva, ainda que recortes de segmentos possuam incerteza amostral maior que o resultado geral da pesquisa.
Essa movimentação ajuda a contextualizar o estreitamento da disputa nacional. As bases mais identificadas com lulismo e bolsonarismo apresentam maior estabilidade, enquanto o eleitor independente demonstrou maior volatilidade ao longo da campanha.
A Quaest desta semana não aponta uma nova arrancada de Flávio nesse grupo. Pelo contrário, ele oscilou dois pontos para baixo. O que chama atenção é a manutenção da inversão construída desde julho. Lula liderava os independentes por treze pontos; agora Flávio aparece oito pontos numericamente à frente.
Com menos de duas semanas para a eleição, esse eleitorado permanece como um segmento importante para acompanhar nas próximas pesquisas. A trajetória dos independentes demonstra sobretudo que, numa disputa nacional apertada, parte relevante das mudanças registradas ao longo dos últimos meses ocorreu justamente entre aqueles que não se identificam de maneira mais definida com nenhum dos dois principais campos políticos.

Por Augusto César