Foto: Divulgação
Edmar Lyra – A disputa pelas 49 vagas da Assembleia Legislativa de Pernambuco já se desenha como uma das mais competitivas dos últimos ciclos, projetando não apenas a tentativa de recondução de parlamentares experientes, mas sobretudo a entrada de uma nova leva de atores políticos com forte lastro municipal. A configuração inicial indica uma eleição marcada por alta fragmentação regional e pelo peso crescente de lideranças locais com capacidade de transferência de votos. Historicamente, a Casa registra uma taxa de renovação próxima de 50%, e os movimentos já observados sugerem que esse padrão tende a se repetir ou até mesmo ser superado em 2026, impulsionado pela pulverização de candidaturas competitivas em todas as regiões do estado.
Na capital, a Câmara do Recife se consolida como um celeiro relevante de postulantes. Davi Muniz (PSD), Romerinho Jatobá e Aderaldo Pinto (PSB), Gilson Machado Filho (Podemos), Fred Ferreira (PL) e Cida Pedrosa (PCdoB) representam diferentes espectros políticos e eleitorais, mas compartilham um ponto em comum: a tentativa de converter visibilidade local em densidade eleitoral estadual. Esse movimento não é novo, mas ganha intensidade diante da maior profissionalização das campanhas proporcionais e do uso estratégico das redes sociais. A capital tende, assim, a ampliar sua influência na composição da Alepe, embora enfrente a concorrência crescente de polos regionais cada vez mais organizados politicamente.
Na Região Metropolitana e no Litoral, o cenário também é dinâmico. A primeira-dama de Jaboatão, Andrea Medeiros, aparece como uma das principais apostas do PSD, ancorada na estrutura administrativa do município. Em Ipojuca, Lara Santana (PV) busca se viabilizar em um território eleitoralmente relevante, enquanto Batista Cabral (PV), no Cabo de Santo Agostinho, tenta capitalizar o peso político do grupo liderado pelo prefeito Lula Cabral. Em Olinda, o ex-prefeito Professor Lupércio entra na disputa com recall administrativo e capital político acumulado após dois mandatos. Já no Litoral Norte, o PSD aposta em nomes como César Ramos, de Igarassu, e Zé de Irmã Teca, de Itapissuma, reforçando sua estratégia de interiorização e capilaridade.
No Agreste e no Sertão, a disputa tende a ser igualmente acirrada, com nomes que combinam inserção local e estrutura política consolidada. Anderson Luiz (Caruaru), Viviane Facundes (Gravatá) e Fábio Aragão (Santa Cruz do Capibaribe) surgem como apostas competitivas do PSD, enquanto Jobson Almeida (Republicanos) entra na corrida com o respaldo do grupo político de São Caetano. No Sertão, Regina da Saúde (Podemos), Bruno Marques (PSB) e Júlio Lossio (PSD) também se posicionam como alternativas viáveis. O conjunto desses movimentos revela uma eleição descentralizada, na qual o sucesso dependerá menos de ondas majoritárias e mais da capacidade individual de articulação, estrutura e enraizamento. O resultado tende a produzir uma Alepe mais heterogênea, com renovação significativa e novas correlações de força no Legislativo estadual.

Por Augusto César