Pelo menos três presidentes brasileiros prometeram ou incluíram a duplicação da BR-423 em seus planos de governo nas últimas décadas, embora o número exato de menções políticas possa ser maior devido à longevidade do pleito.
A obra é descrita como uma “luta de décadas” e passou por diferentes estágios de promessa e execução sob os seguintes mandatos:
- Dilma Rousseff: Em 2013 e 2015, o projeto foi discutido como parte de investimentos federais. Técnicos do DNIT realizaram visitas ao trecho em 2015 para finalizar anteprojetos de duplicação sob a articulação de lideranças locais com o governo federal da época.
- Jair Bolsonaro: Durante seu governo, o projeto teve avanços burocráticos. A licitação para a obra chegou a ser publicada no Diário Oficial da União em novembro de 2020. Na época, houve disputas políticas sobre a “paternidade” da obra entre parlamentares aliados ao governo.
- Luiz Inácio Lula da Silva: Em seu terceiro mandato, a obra foi incluída no Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). O presidente assinou a ordem de serviço oficial em novembro de 2023 para o primeiro lote (São Caetano a Lajedo), marcando o início efetivo das máquinas na pista.
A licitação para a execução das obras do Lote 2 (Lajedo a Garanhuns) de fato ainda não aconteceu.
O que existe de concreto até agora é o seguinte cenário:
Status do Lote 2 (Lajedo – Garanhuns)
- O Projeto: O projeto de engenharia para este trecho está em fase de revisão e atualização pelo DNIT. Como o Lote 1 foi licitado no modelo RDCi (onde a empresa faz o projeto e a obra juntos), o governo estuda seguir o mesmo caminho para o Lote 2 ou finalizar o projeto internamente para licitar apenas a construção.
- Licitação: Não há edital de obras publicado para o Lote 2 até este momento (abril de 2026). A expectativa do Ministério dos Transportes é lançar essa licitação assim que o Lote 1 atingir um estágio avançado de entrega, para garantir a continuidade do fluxo orçamentário do Novo PAC.
- Expectativa Realista: Sem o projeto finalizado e a licitação concluída, é muito difícil ver máquinas no trecho Lajedo-Garanhuns antes do final de 2026 ou início de 2027.
O que está andando (Lote 1)
O foco total do governo no momento é o Lote 1 (São Caetano a Lajedo). Este sim está em obras, com frentes de trabalho concentradas na terraplenagem e drenagem. A meta é entregar as primeiras “entregas funcionais” (trechos prontos para tráfego) deste lote ainda em 2026.
Em resumo: O Lote 2 continua no papel. O que se vê de movimentação hoje é restrito ao trecho que vai até Lajedo. Para quem segue até Garanhuns, o gargalo da pista simples deve permanecer por mais algum tempo até que esse processo licitatório que você mencionou finalmente saia do papel.
Entenda o caso – A duplicação do Lote 2 da BR-423 (Lajedo a Garanhuns) ainda não saiu devido a uma combinação de alto custo financeiro, complexidade técnica e entraves burocráticos, embora o processo de licitação esteja finalmente avançando em 2026.
Abaixo estão os principais motivos para a demora histórica:
Principais Entraves
- Custo Elevado: O trecho entre Lajedo e Garanhuns é considerado cerca de cinco vezes mais caro que o primeiro lote devido à necessidade de grandes desapropriações e intervenções urbanas complexas.
- Complexidade Técnica: O projeto exige “obras de arte especiais” (como viadutos e passarelas) e um sistema de drenagem mais robusto para lidar com o relevo e a ocupação urbana da região.
- Gestão Orçamentária: Historicamente, a falta de verbas federais contínuas provocou paralisações sucessivas, com projetos prontos desde 2011 que acabaram defasados. Agência Estadual de Meio Ambiente de Pernambuco – CPRH
Situação Atual (Abril de 2026)
Após décadas de promessas, houve movimentações recentes para destravar a obra:
- Licitação em 2026: Em fevereiro de 2026, o Ministério dos Transportes e o Governo de Pernambuco confirmaram que a licitação para o Lote 2 seria lançada “em breve”, após o avanço do asfalto no Lote 1.
- Inclusão no Novo PAC: A obra completa (São Caetano a Garanhuns) foi incluída no Novo PAC, com um investimento total estimado em R$ 554 milhões para os dois lotes.
- Foco no Lote 1: Atualmente, os esforços e recursos estão concentrados no Lote 1 (São Caetano a Lajedo), cuja conclusão e entregas funcionais estão previstas para o decorrer de 2026.
Embora o Lote 2 seja tratado como prioridade em reuniões recentes entre o governo estadual e federal, ele ainda enfrenta o risco de atrasos se o fluxo de recursos do orçamento federal sofrer novas oscilações.
Ou seja vai ficar para o próximo presidente que assumir apartar do dia 1º de janeiro de 2027.
NO DIA 07 DE NOVEMBRO DE 2023 PRESIDENTE LULA ASSINOU A ORDEM DE SERVIÇO PARA DIUPLICAÇÃO DA BR-423

O evento com Lula ocorrerá a partir das 11h30 desta quarta-feira (8/11), no Palácio do Planalto – (crédito: Ricardo Stuckert/PR)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, na quarta-feira (8/11/2023), da solenidade de assinatura da ordem de serviço da duplicação da BR-423, no trecho de 43,1 quilômetros entre as cidades pernambucanas de São Caetano e Lajedo. O evento ocorreu próximo das 11h30, no Palácio do Planalto.
A rodovia BR-423 faz a ligação dos estados de Pernambuco, Alagoas e Bahia, integrando as cidades de Garanhuns (PE), Ouro Branco (AL) e Paulo Afonso (BA). A obra de duplicação é aguardada há décadas.
Também participaram do evento os ministros Renan Filho (Transportes), Rui Costa (Casa Civil), Alexandre Padilha (Relações Institucionais), José Mucio (Defesa), Silvio Costa (Portos e Aeroportos), Luciana Santos (Ciência, Tecnologia e Inovação), André de Paula (Pesca e Aquicultura), além de senadores e deputados, da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, e de gestores municipais da região.
Essa Obra foi prometida pelos Governos de Temer, Dilma, FHC, Bolsonaro e Lula, mais nunca saiu do papel, e a cidade de Garanhuns sempre penalizada, não só ela mais todo o Agreste Meridional que espera essa obra a anos.
Impacto: A duplicação da BR-423 visa integrar o Agreste Meridional (Garanhuns) ao polo comercial de Caruaru e ao Recife, facilitando o escoamento da produção e melhorando a segurança de uma das áreas mais dinâmicas do estado.
Até quando esperar mais?

Por Augusto César