A poucos dias da data prevista, cresce a pressão política sobre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para que seja instalada, no próximo dia 29, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) destinada a investigar possíveis irregularidades no Banco do Nordeste do Brasil (BNB).
Nos bastidores de Brasília, parlamentares intensificam articulações para garantir a abertura da comissão, que promete aprofundar investigações sobre contratos firmados pela instituição financeira no âmbito do microcrédito. A movimentação ocorre em meio a um cenário de tensão política e cobranças por transparência na gestão de recursos públicos.
O atual presidente do banco, Paulo Câmara, já estaria ciente do risco iminente de instalação da CPMI. Segundo fontes, ele tem buscado apoio junto ao Palácio do Planalto para tentar barrar o avanço da investigação no Congresso Nacional.
A CPMI, caso instalada, terá como foco principal apurar irregularidades apontadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Entre os pontos sob análise estão contratos firmados entre o BNB e o Instituto Nordeste Cidadania (INEC), além de acordos com a Camed Microcrédito e Serviços Ltda.
As suspeitas foram detalhadas no processo TC 018.941/2022-2 e consolidadas no Acórdão 2906/2025 do TCU, que identificou falhas na execução do Programa Nacional de Microcrédito Produtivo Orientado (PNMPO).
Outro ponto que deve ser investigado envolve os Pregões Eletrônicos nº 90023/2026 e 90024/2026. Embora tenham sido lançados em cumprimento formal às determinações do TCU, há indícios de que os editais teriam sido estruturados de forma a restringir a competitividade, o que pode configurar violação aos princípios da administração pública previstos na Constituição Federal.
A possível instalação da CPMI promete acirrar ainda mais o debate político em Brasília, com impactos diretos na gestão do banco e no futuro de programas sociais ligados ao microcrédito na região Nordeste.
A expectativa agora gira em torno da decisão de Alcolumbre, que terá papel decisivo na condução do processo e poderá definir os próximos passos dessa investigação de grande repercussão nacional.

Por Augusto César