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EDMAR LYRA – A disputa por vagas na Assembleia Legislativa de Pernambuco em 2026 começa a ganhar contornos cada vez mais municipalistas e familiares. Historicamente, prefeitos aproveitam o capital político acumulado na metade de seus mandatos para tentar eleger aliados à Casa de Joaquim Nabuco, fortalecendo não apenas seus grupos locais, mas também consolidando influência regional. O movimento, que tradicionalmente ocorre em cidades de todos os portes, desta vez se desenha de maneira ainda mais intensa, envolvendo prefeitos de grandes colégios eleitorais, lideranças emergentes e estruturas familiares inteiras mobilizadas para garantir representação na Alepe. O cenário aponta para uma eleição marcada pela força das máquinas municipais e pelo peso das articulações regionais.
Em cidades estratégicas, os projetos já estão claramente definidos. Em Jaboatão dos Guararapes, o prefeito Mano Medeiros trabalha para eleger sua esposa, Andrea Medeiros, pelo PSD, enquanto em Caruaru o prefeito Rodrigo Pinheiro aposta no nome de Anderson Luiz, também filiado ao PSD. No Ipojuca, o prefeito Carlos Santana articula a candidatura de Lara Santana, do PV, substituindo Simone Santana, que decidiu não disputar a reeleição. Já no Cabo de Santo Agostinho, o prefeito Lula Cabral pretende transferir capital político para o irmão, Batista Cabral, que disputará pelo PSB.
O movimento se espalha também pelo interior e pela Mata Sul. No litoral sul, o prefeito Júnior de Irmã Teca pretende lançar o ex-prefeito Zé de Irmã Teca pelo PSD, enquanto a prefeita Elcione Ramos decidiu apostar no filho, César Ramos, como representante do grupo político na Alepe. Em Gravatá, o prefeito Padre Joselito escolheu a primeira-dama Viviane Facundes para a disputa, também pelo PSD. Já em Serra Talhada, a prefeita Márcia Conrado trabalha para eleger o marido, Breno Araújo, pelo PT. Em Petrolândia, o prefeito Fabiano Marques tenta emplacar Bruno Marques com uma expressiva votação pelo PSB. Além desses casos, municípios como Abreu e Lima, João Alfredo, Paulista e Olinda também devem apresentar candidaturas fortemente vinculadas aos atuais prefeitos.
A quantidade de nomes competitivos e o peso político das prefeituras envolvidas elevam a expectativa para uma das disputas proporcionais mais acirradas dos últimos anos em Pernambuco. Mais do que simplesmente ampliar bancadas partidárias, os prefeitos enxergam a eleição para deputado estadual como instrumento estratégico de fortalecimento político, ampliação de influência junto ao Governo do Estado e construção de projetos de longo prazo. Em muitos casos, a eleição de aliados ou familiares representa ainda a tentativa de garantir continuidade administrativa e preservar o comando político local para os próximos ciclos eleitorais. A tendência é de que a campanha de 2026 seja marcada por uma forte interiorização das disputas, pelo protagonismo das estruturas municipais e por uma intensa guerra de articulações regionais nos bastidores da política pernambucana.

Por Augusto César