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MúSICA

Alceu Valença eletriza o Classic Hall com o show ’80 Girassóis”

Augusto César Por Augusto César
Alceu Valença eletriza o Classic Hall com o show ’80 Girassóis”

Alceu Valença eletrizou o Classic Hall com o show “80 Girassóis” – Foto: Arthur Botelho/Folha de Pernambuco

O quase octogenário cantautor pernambucano desfilou um rosário de canções antológicas para celebrar sua trajetória artística, com público respondendo à altura

De Leonardo Vila Nova – Às vésperas de completar 80 anos de idade – no próximo dia 1° de julho –, Alceu Valença trouxe a Pernambuco, nesta sexta-feira (15), o show “80 Girassóis”, turnê que vem percorrendo Brasil afora para celebrar a obra do artista, filho mais ilustre de São Bento do Una, no Agreste pernambucano.

O show aconteceu no Classic Hall, para um público sedento por atravessar mais de 50 anos de uma trajetória marcada por verdadeiros hinos da nordestinidade.

No centro do palco, um girassol monumental parecia orbitar o cantor, iluminando o cenário concebido por Zé Carratu, uma paisagem de imagens pulsantes e poesia visual.

Foi diante dessa moldura psicodélica e solar que Alceu deu a largada na viagem, abrindo a noite com a explosiva “Agalopado”, do álbum “Espelho Cristalino” (1977), como se estivesse incendiando o mundo pela primeira vez.

A despeito da idade que alcançará dentro de 1 mês e meio, Alceu Valença não parece em nada com um senhor quase octogenário e continua entrando de forma elétrica no palco, como quem invade um sonho febril. O público, obviamente, responde devolvendo o entusiasmo, em palmas, gritos e coro.

Ao longo das duas horas de show, Alceu passeou entre memórias, delírios e frevos, também aboios, baiões, martelos agalopados e cirandas.

O repertório costurou hinos de diferentes épocas, resgatou jóias menos óbvias da discografia,  sem obedecer necessariamente a uma ordem cronológica, e ganhou novos contornos a cada troca de figurino, com modelos assinados pela estilista Isabela Capeto.

O artista propôs uma narrativa que encadeou as músicas por afinidade temática. Nos primeiros momentos do show, Alceu também trouxe a esta viagem, sob a lembrança luminosa de Luiz Gonzaga — eterno soberano da nação nordestina – , o irresistível “Pagode russo”, que jogou a energia lá pra cima.

Em outro momento mais à frente, no show, Gonzagão segue sendo reverenciado, com a sua “Sabiá”, que relembra Alceu junto a Zé Ramalho, Elba e Geraldo Azevedo, n’O Grande Encontro.

Da “Estação da Luz”, que é o Verão anunciado em versos por Alceu,, ele segue direto para uma Primavera onírica e cheia de afeto, cantando “Girassol” – que inspirou o nome da turnê – e “Flor de Tangerina”.

O Pernambuco litorâneo de Alceu esteve presente em canções como “Ciranda da Rosa Vermelha”, que tem refrão extraído de domínio público, e no pot-pourri que uniu “Luar de Prata” e “Ciranda da Aliança”.

“Desembarcando” em Olinda, uma de suas “cidades-habitat”, Alceu subiu e desceu as ladeiras trazendo o momento Carnaval do show, com o “Hino do Elefante de Olinda” – momento em que o atual guitarrista de Alceu, Zi Ferreira, reproduz o icônico solo que virou marca de Paulo Rafael, parceiro de Alceu por mais de 40 anos, falecido em 2021 – , “Olinda” e “Bicho Maluco Beleza”.

Simulando uma banda de pífanos, a banda de Alceu deu a deixa para os momentos seguintes do show. Desapegado do tempo que lhe habita – Alceu costuma repetir em entrevistas que, para ele, “o tempo é passado, presente e futuro, tudo ao mesmo tempo” –, Alceu mandou a sua “Embolada do Tempo”.

Eis que o show chega ao interior pernambucano, começando por “Espelho Cristalino” – durante essa música, um jovem Alceu Valença é exibido no telão, em imagens animadas por IA, baseadas no ensaio fotográfico feito pelo pernambucano Cafi para o álbum de mesmo nome. Em seguida, vieram “Coração Bobo” e “Cabelo no Pente”.

A cidade do Recife é homenageada por Alceu em sua “Pelas Ruas que Andei”, parceria com Vicente Barreto.

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