De Luiz Neto – O caso da Usina Catende segue como uma das páginas mais dolorosas da história trabalhista de Pernambuco. Quase 9 mil credores aguardam há décadas o pagamento de verbas reconhecidas, enquanto cresce a cobrança por respostas sobre o paradeiro de R$ 54 milhões destinados ao processo falimentar.
A falência da usina foi decretada em maio de 1995, mas as atividades continuaram até fevereiro de 2012. Nesse intervalo, 65 engenhos foram desapropriados para gerar recursos que ajudariam a quitar dívidas trabalhistas. O valor, segundo documentos citados por representantes dos trabalhadores, foi pago por meio de Títulos da Dívida Agrária.
O ponto central da polêmica é que o dinheiro teria sido liberado, mas até hoje os ex-funcionários afirmam não ter recebido o que lhes é devido. Uma comissão de trabalhadores levou o caso ao Ministério Público Federal, que iniciou apurações e solicitou esclarecimentos aos órgãos envolvidos.
O INCRA confirmou oficialmente a realização dos pagamentos à massa falida. Já a Caixa Econômica Federal informou, conforme documentos mencionados no caso, que os títulos foram vinculados à conta judicial relacionada ao processo da usina.
Mesmo com essas confirmações, permanece a pergunta que ecoa entre os trabalhadores: onde foram parar os recursos?
No dia 26 de janeiro, credores realizaram protesto em frente ao fórum da Avenida Desembargador Guerra Barreto, no Recife, cobrando providências e mais transparência. O processo atualmente está sob atuação da juíza Michele Chagas, enquanto a expectativa é de que novas medidas possam destravar um impasse que atravessa gerações.
O caso Catende deixou de ser apenas uma disputa judicial. Tornou-se símbolo da lentidão institucional e da angústia de milhares de famílias que esperam por justiça após anos de trabalho e promessas não cumpridas.

Por Augusto César