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OPINIãO

A avenida aberta no Senado e o palanque ampliado de Raquel Lyra

Augusto César Por Augusto César
A avenida aberta no Senado e o palanque ampliado de Raquel Lyra

Foto: Divulgação

Edmar Lyra – A decisão do PL de não disputar o Senado em Pernambuco redesenha de maneira significativa o tabuleiro político de 2026 e cria um novo eixo de força na montagem da chapa majoritária da governadora Raquel Lyra. Ao optar por lançar Anderson Ferreira à Câmara dos Deputados, com a missão de funcionar como grande puxador de votos da legenda e figurar entre os mais votados do estado, o partido faz uma escolha pragmática. O movimento preserva o capital político de Anderson, fortalece a bancada federal bolsonarista em Pernambuco e evita um confronto de risco em uma disputa majoritária que tende a ser extremamente competitiva. Ao mesmo tempo, o PL passa a ocupar uma posição estratégica: com um dos maiores tempos de televisão da eleição, atrás apenas da federação União Progressista, o partido se torna peça-chave na construção das alianças estaduais.

Nesse contexto, o caminho da neutralidade sempre existiu como alternativa possível para o PL. Entretanto, nos bastidores, a tendência mais evidente aponta para um alinhamento com a reeleição de Raquel Lyra. A governadora conseguiu atravessar o primeiro biênio ampliando pontes com setores de centro e centro-direita, e o PL percebe que há mais vantagens em compor do que em isolar-se politicamente. A ausência de uma candidatura própria ao Senado abriu uma avenida para a definição de um nome competitivo no campo conservador moderado dentro do palanque governista. Hoje, os dois nomes mais fortes nessa disputa interna são o deputado federal Eduardo da Fonte e o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho. Ambos representam forças relevantes da federação União Progressista, mas carregam diferenças importantes na capacidade de articulação partidária e de construção de alianças.

É justamente nesse ponto que Eduardo da Fonte pode ganhar vantagem decisiva. Além de integrar o comando da federação, o parlamentar trabalha para consolidar um entendimento político com Anderson Ferreira e o PL. A engenharia em curso prevê apoio formal do partido à eventual candidatura de Eduardo ao Senado, acompanhado de um alinhamento regional entre bases políticas dos dois grupos. Na prática, seria um acordo de reciprocidade: Eduardo ajudaria na ampliação da votação proporcional do PL, enquanto Anderson direcionaria a estrutura partidária para fortalecer o projeto senatorial do dirigente progressista. Em uma eleição marcada por forte peso das chapas proporcionais e pela influência do tempo de televisão, esse tipo de composição tende a produzir efeitos concretos sobre a competitividade eleitoral. Mais do que uma simples aliança, trata-se da formação de um bloco político de centro-direita com musculatura estadual.

Se essa equação se confirmar, Raquel Lyra poderá chegar à disputa de 2026 com uma das maiores estruturas eleitorais já vistas em Pernambuco desde a redemocratização. PSD, PL, PP, União Brasil e Podemos reunidos numa mesma coligação representariam não apenas um arco partidário amplo, mas um domínio expressivo sobre o tempo de propaganda eleitoral. Pelas projeções feitas nos bastidores, a governadora teria aproximadamente 60% do tempo de televisão, além do apoio de uma base parlamentar que ultrapassaria 260 deputados federais somados nacionalmente. O impacto disso não se restringiria à candidatura ao governo. Os candidatos ao Senado vinculados ao palanque governista também seriam diretamente beneficiados por uma exposição massiva de mídia e por uma capilaridade política capaz de alcançar praticamente todas as regiões do estado. Em Pernambuco, onde televisão, estrutura partidária e alianças municipais continuam tendo peso decisivo, a construção desse palanque pode transformar a eleição em uma disputa de desequilíbrio estratégico antes mesmo do início oficial da campanha.