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ELEIçõES 2026

PSB “passa recibo” após queda de João Campos nas pesquisas em Pernambuco

Augusto César Por Augusto César
PSB “passa recibo” após queda de João Campos nas pesquisas em Pernambuco

Luiz Neto – Na política existe um verbo silencioso que quase ninguém admite, mas todo mundo entende: passar recibo.

Não precisa nota oficial. Não precisa discurso inflamado. O gesto entrega. O semblante entrega. A pressa entrega.

E foi exatamente isso que aconteceu ontem na Assembleia Legislativa de Pernambuco.
Logo após a divulgação das pesquisas que apontaram queda do ex-prefeito do Recife e pré-candidato ao Governo do Estado, João Campos, deputados do PSB resolveram ocupar a cena política com críticas, denúncias e uma tentativa clara de mudar o eixo do debate estadual.

Na política, coincidências quase nunca são coincidências.

O PSB passou 16 anos governando Pernambuco. Os problemas apresentados ontem não nasceram agora. O estado conhece muitos deles há décadas. Mas bastou a curva das pesquisas mudar para surgir uma súbita necessidade de tensão política dentro da ALEPE. E um detalhe é preciso salientar, muito mais não se pode fazer pela saúde dos pernambucanos por manobras orquestras naquela casa.

Passar recibo é exatamente isso.

É quando a reação vem antes da digestão. Quando o incômodo escapa pela estratégia. Quando o adversário cresce ou resiste mais do que o esperado e alguém resolve transformar nervosismo em discurso público.

O movimento de ontem não pareceu apenas oposição ao governo. Pareceu preocupação com o futuro.
Porque pesquisa, em política, tem um efeito cruel: ela mexe menos com o eleitor e mais com quem vive da política. Parlamentares sentem. Prefeitos sentem. Aliados sentem. O sorriso muda. O telefone toca mais rápido. E a ansiedade ocupa espaços onde antes existia tranquilidade.

Talvez o maior problema de passar recibo seja justamente esse: o eleitor percebe.
E quando a política deixa de agir por convicção e passa a agir por medo, até o silêncio da Assembleia faz barulho.