ANÁLISE: A mais recente pesquisa Datafolha, instituto que este blog acompanha e considera referência em seus levantamentos, trouxe um cenário que há poucos meses parecia improvável na disputa pelo Governo de Pernambuco: a virada de Raquel Lyra sobre João Campos.
No fim do ano passado, João aparecia com larga vantagem, chegando a abrir cerca de 30 pontos sobre a governadora. Hoje, o cenário mudou completamente. Raquel surge à frente, abrindo cinco pontos de vantagem sobre o ex-prefeito do Recife. E isso não aconteceu por acaso.
Parte desse desgaste passa pelas próprias escolhas políticas de João Campos e, principalmente, por erros de condução e comunicação. Em alguns momentos, o socialista colocou os pés pelas mãos e não conseguiu explicar situações que acabaram repercutindo negativamente. Casos como o aumento simbólico de apenas 1 real para professores e a polêmica envolvendo nomeação ligada a concurso público geraram desgaste desnecessário para alguém considerado um político experiente e estrategicamente preparado.
Faltou contenção. Faltou leitura política. E, sobretudo, faltou uma assessoria mais eficiente para evitar armadilhas básicas da política. Erros considerados primários acabaram atingindo a imagem de um nome que vinha sendo tratado como favorito absoluto.
Outro fator importante é a perda de visibilidade após deixar a Prefeitura do Recife. Fora da máquina municipal, João passou a aparecer menos no cotidiano da população. E política também é presença, narrativa e ocupação de espaço.
Enquanto isso, Raquel Lyra adotou uma estratégia clássica de quem conhece bem o jogo político. Guardou entregas, obras e inaugurações para o período mais próximo da eleição, mantendo ações frescas na memória do eleitorado. A governadora, silenciosamente, começou a ocupar espaços e a reduzir uma diferença que parecia impossível de ser alcançada meses atrás.
Claro que pesquisa é retrato do momento,mas uma coisa é inegável: João Campos deixou de nadar em águas tranquilas e começou, sim, a sentir a pressão de uma Raquel Lyra que demonstra ter entrado de vez no jogo eleitoral.

Por Augusto César