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CULTURA

O Dia Nacional da Imprensa é celebrado anualmente no Brasil em 1º de junho

Augusto César Por Augusto César
O Dia Nacional da Imprensa é celebrado anualmente no Brasil em 1º de junho

A data homenageia o papel fundamental dos meios de comunicação e do jornalismo profissional na construção de uma sociedade consciente e democrática

Origem da Data

O marco foi instituído oficialmente por meio da Lei nº 9.831/1999. A escolha do dia 1º de junho resgata o início da circulação do Correio Braziliense em 1808. Esse periódico foi idealizado por Hipólito José da Costa e é considerado o primeiro jornal brasileiro de fato. Embora fosse impresso em Londres para escapar da censura da coroa, suas páginas traziam notícias e duras críticas políticas sobre o cenário no Brasil colonial.

Antes da mudança na legislação, a comemoração ocorria no dia 10 de setembro. A data antiga remetia ao nascimento da Gazeta do Rio de Janeiro, também em 1808. Contudo, a Gazeta servia apenas como um diário oficial da corte portuguesa e não possuía o caráter opinativo e independente que caracteriza o jornalismo moderno.

Em 1º de junho, por meio da lei nº 9.831, de 13 de setembro de 1999, no governo de Fernando Henrique Cardoso, foi instituído o Dia Nacional da Imprensa, data escolhida por ser a mesma em que começou a circular o jornal Correio Braziliense no Brasil em 1808. Fundado por Hipólito José da Costa, o jornal expressava críticas ao governo de Dom João e pretendia ser livre da censura imposta pela coroa portuguesa.

Ao mencionar imprensa, estamos incluindo jornais e revistas, rádio e televisão que devem pautar seu trabalho pela ética e pela isenção, sem favorecer nenhum lado.

No Museu Julio de Castilhos, apresentamos dois exemplares de televisão e rádio atualmente expostos na exposição “As Incríveis Tecnologias dos Séculos XIX e XX”. Esses equipamentos foram fundamentais, naquela época, para colocar a população em contato com os acontecimentos do mundo.

Televisão

Em 1932, o cientista russo Vladmir Zworykin criou e patenteou o sistema completo de televisão. A TV começou a ser propriamente produzida, mas somente em preto e branco. Apenas as pessoas que possuíam dinheiro conseguiam adquirir o aparelho, sendo comum reunir amigos e vizinhos para assistir televisão.

Rádio

O rádio é o meio de comunicação de massas com maior alcance de audiência no mundo, sendo um dos principais modos de acesso à informação. Em 1922, no Brasil, foi fundada a primeira emissora de rádio do país, a Rádio Sociedade, do Rio de Janeiro, atual Rádio MEC, com a transmissão da ópera “O guarani”.

A trajetória de Hipólito José da Costa moldou a história da comunicação no país. Paralelamente, as ações e homenagens agendadas para o Dia da Imprensa concentram-se em debates sobre a liberdade de expressão e na valorização do jornalismo investigativo.

A História de Hipólito José da Costa e o Correio Braziliense

Hipólito José da Costa Pereira Furtado de Mendonça nasceu em 1774 na Colônia do Sacramento (atual Uruguai). Formou-se em Direito e Filosofia pela Universidade de Coimbra e foi um intelectual influenciado pelo Iluminismo.

O jornalista enfrentou forte repressão política ao longo de sua vida:

  • Prisão pela Inquisição: Devido à sua forte atuação na Maçonaria e à divulgação de ideias liberais, foi preso em Lisboa em 1802 pelas autoridades monárquicas. Conseguiu fugir da prisão em 1805, disfarçado, exilando-se definitivamente em Londres.
  • A Fundação do Jornal (1808): Em 1º de junho de 1808, na capital britânica, publicou a primeira edição do Correio Braziliense ou Armazém Literário. A tiragem mensal era enviada de navio e distribuída clandestinamente no Brasil.
  • A Linha Editorial: Diferente da governista Gazeta do Rio de Janeiro, o Correio criticava os excessos da Coroa luso-brasileira. Hipólito defendia propostas avançadas para a época, como a abolição gradual da escravidão, a liberdade de imprensa, o fim do tribunal da Inquisição e a interiorização da capital do país (ideia que inspirou o nome do jornal atual em Brasília).
  • Projeto Político: Curiosamente, Hipólito não queria inicialmente a separação total de Portugal. Ele defendia um Império luso-brasileiro unificado sob uma monarquia constitucional. Só aderiu formalmente à causa da Independência em 1822, após as intransigências da Revolução do Porto. Ele faleceu no exílio em 1823, pouco após o fechamento do periódico. Hoje, é o patrono da cadeira nº 17 da Academia Brasileira de Letras.