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POLíTICA

João Campos prestigia Gilmarpalooza quatro meses após Gilmar Mendes trancar investigação do esquema das empreiteiras; ministros não levou recursos a julgamento

Augusto César Por Augusto César
João Campos prestigia Gilmarpalooza quatro meses após Gilmar Mendes trancar investigação do esquema das empreiteiras; ministros não levou recursos a julgamento

João Campos no segundo dia do Fórum de Lisboa 2026 – Foto: IDP

Dois recursos apresentados contra a decisão monocrática de Mendes aguardam julgamento desde fevereiro; Campos usa decisão que também envolve PF para reforçar narrativa

Manoel Medeiros – A intervenção do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes trancando as investigações do esquema das empreiteiras (Operação Barriga de Aluguel, do MPPE) da gestão do ex-prefeito João Campos completou quatro meses no último sábado (30) sem qualquer andamento por parte do gabinete do ministro para o julgamento dos recursos, que deve ser colegiado. O inquérito envolve investigações a respeito de indícios de corrupção num montante superior a R$ 200 milhões, inclusive com recursos do SUS.

As investigações assombram o grupo político de João Campos e teriam sido o fato motivador do episódio do fura-fila, quando o ex-prefeito nomeou fora do prazo e das regras um candidato no concurso de procurador judicial da Prefeitura semanas após o pai desse candidato – um juiz do TJPE – anular a mesma investigação trancada por Gilmar Mendes. O ministro do STF foi acionado diretamente (não houve sorteio) após a decisão do juiz ter sido revertida, tanto na primeira instância quanto por desembargadores da 2ª Câmara Criminal do TJPE, por unanimidade.

Além do MPPE, há apurações em curso no Tribunal de Contas da União, no Ministério Público Federal, na Polícia Federal e no Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco.

Dados da investigação apontam a participação de agentes políticos muito próximos do prefeito num esquema que contratou sem licitação empreiteira que sequer existe em Pernambuco para realizar manutenção predial em mais de 600 equipamentos da Prefeitura, entre escolas, postos de saúde e até mesmo o prédio sede da Prefeitura. Há indícios de que parte desses recursos chegou a irrigar campanhas políticas em 2024.

Andamento do processo que trancou a barriga de Aluguel no STF

O marco dos quatro meses da decisão coincide com a presença do ex-prefeito e presidente nacional do PSB no Fórum de Lisboa, o “Gilmarpalooza”, evento que reúne autoridades do País para oficialmente discutir o Brasil em Portugal, organizado por Mendes. O encontro é conhecido pelo forte lobby realizado nos bastidores, onde jantares e convescotes terminam decidindo, entre goles de vinho caros, decisões sobre o futuro do País.

No evento, além de participar de um debate, Campos concedeu entrevista coletiva reforçando a narrativa de que é vítima de “perseguição política”, argumento consonante com a decisão de Mendes, que chegou – no controverso despacho – a  determinar que a Polícia Federal investigue a Polícia Civil de Pernambuco. Na mesma matéria, Mendes deu duas decisões a respeito de assuntos diferentes, ambas totalmente favoráveis a Campos. Mesmo sob segredo de justiça, o ex-prefeito correu para gravar um vídeo na internet, em 31 de janeiro deste ano, comemorando o fato.

A participação da Polícia Federal numa suposta investigação, decorrente dessa decisão de Mendes, tem sido utilizada repetidas vezes por João Campos na construção de uma narrativa que chega a ser interpretada por alguns como evidente ameaça contra oponentes políticos utilizando-se de um órgão policial federal.

A relação entre João Campos e Gilmar Mendes ganha expressividade a partir da atuação do advogado Rafael Araripe Carneiro, sócio de um escritório de Brasília contratado pelo PSB nacional. Foi ele quem impetrou, representando três secretárias da Prefeitura, a petição pelo trancamento do inquérito diretamente a Mendes. Carneiro tem relação profissional com Gilmar Mendes e está em Lisboa também.

No andamento do processo, que tem todos os detalhes limitados por segredo de justiça, é possível registrar que, ainda no início de fevereiro, foram apresentados dois embargos de declaração contra a decisão monocrática. Até hoje, no entanto, tais recursos não foram julgados e a decisão pró-Campos de Mendes segue intacta.

Gilmar Mendes já foi homenageado pela Prefeitura do Recife na gestão Campos (medalha da Ordem do Mérito Capibaribe) e recebeu o título de cidadão recifense.

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