Uma pesquisa eleitoral que aponta o ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB), à frente na disputa pelo Governo de Pernambuco passou a ser alvo de fortes questionamentos nos bastidores da política estadual. O motivo é que o levantamento teria sido realizado em apenas 13 municípios pernambucanos, número considerado pequeno diante da realidade de um estado que possui 184 cidades.
De acordo com os dados divulgados no próprio relatório metodológico, a pesquisa ouviu 1.500 eleitores entre os dias 2 e 6 de junho e concentrou entrevistas em municípios como Recife, Jaboatão dos Guararapes, Paulista, Caruaru, Vitória de Santo Antão, Serra Talhada, Surubim, São Bento do Una, Itambé, João Alfredo, Altinho, Lagoa dos Gatos e Terra Nova.
Nos meios políticos, chamou atenção o fato de a pesquisa ter concentrado grande parte da amostra na Região Metropolitana do Recife, área onde João Campos possui maior nível de conhecimento por ter administrado a capital pernambucana. Críticos do levantamento afirmam que regiões importantes do Agreste, Zona da Mata e Sertão ficaram de fora ou tiveram participação reduzida, o que poderia influenciar o resultado final.
A divulgação dos números também gerou debates nas redes sociais, onde muitos eleitores questionaram se uma pesquisa realizada em apenas 13 municípios seria suficiente para representar com precisão o sentimento do eleitorado dos 184 municípios pernambucanos.
Nos bastidores, adversários do PSB classificam a divulgação do levantamento como uma tentativa de criar uma narrativa positiva para João Campos em um momento de intensa disputa política e crescimento da pré-campanha da governadora Raquel Lyra (PSD) pelo interior do estado.
Especialistas em pesquisas eleitorais, no entanto, ressaltam que a validade de um levantamento não depende apenas da quantidade de municípios pesquisados, mas principalmente da metodologia empregada, da distribuição da amostra e da representatividade estatística dos entrevistados.

Por Augusto César