Por Ricardo Antunes – A história mostra que são poucas as conclusões que podem ser tiradas sobre uma eleição antes de seu resultado final. Todavia, a pré-campanha de 2026 já permite um parecer, de certa forma até lógico: independente do que sair das urnas, Marília Arraes (PDT) deverá ser candidata a prefeita do Recife em 2028.
Pode parecer uma grande antecipação. Principalmente porque Marília é candidata ao Senado, e até o momento lidera com folga todas as pesquisas. Com duas vagas em disputa na Casa Alta do Congresso Nacional, ela tem grandes chances de chegar lá. O que não significaria que passaria oito anos longe das disputas eleitorais, o que praticamente nunca ocorreu em Pernambuco.
Numa rápida passada pela história recente, Roberto Freire e Humberto Costa disputaram a Prefeitura do Recife em 1996 e 2012, respectivamente, dois anos após ambos assumirem o mandato como senadores. Carlos Wilson também concorreu ao Recife em 2000, durante o mandato para o qual foi eleito em 1994.
Isso sem contar nomes que disputaram o governo na metade dos mandatos, como Jarbas Vasconcelos em 2010 e Armando Monteiro Neto em 2014. Fernando Bezerra Coelho até tentou em 2018, mas seu partido, o MDB, barrou sua candidatura. Além de Marco Maciel, eleito senador em 1990 e vice-presidente da República quatro anos depois.
Não seria novidade, portanto, Marília disputar a Prefeitura do Recife logo após – e caso venha a ser – eleita senadora. Mas até mesmo uma eventual derrota não a impediria dessa postulação, a qual já havia tentado em 2020 e sido derrotada pelo primo João Campos (PSB).
Atualmente lado a lado como companheiros de chapa, a escolha de Marília sempre tumultuou os bastidores do PSB. Isso porque a sigla comanda o Recife há 14 anos, e sempre teve turbulências com Marília. A estatura que ela vem obtendo é uma ameaça ao próprio PSB, que deixou no comando da prefeitura Victor Marques (PCdoB), ex-vice de João.
Victor assumiu a cadeira em abril e seria o candidato natural apoiado pelo PSB para 2028, mantendo os espaços da sigla na gestão. No entanto, Marília, filiada ao PDT, não poderia ser barrada de disputar a prefeitura, como já foi feito pelo PSB em 2018.
E o mais curioso: caso Raquel Lyra (PSD) seja reeleita, ela viria com tudo para tentar tirar a prefeitura dos socialistas. Daí, uma candidatura forte como a de Marília Arraes, seja eleita senadora ou não, cairia como uma mão na roda para este propósito. Principalmente após o fracasso da postulação de Daniel Coelho em 2024, que ficou na quarta colocação com 3% com as bençãos do Palácio das Princesas. Esse erro não pode ser repetido.
Como dizem, em política o feio é perder. Uma eventual aliança entre Marília e Raquel, que quase ocorreu após uma conversa entre elas no final de março, seria fatal ao PSB. Tal qual a aliança entre Eduardo Campos e Jarbas foi quase aniquiladora para o PT no estado na década passada. O veneno pode estar mudando de copo.
Mas muita água ainda vai passar embaixo da ponte. O fato é que esta eleição não terminará em 4 ou 25 de outubro, e sim – quem sabe – só daqui a dois anos. Com possível extensão, quiçá a mais uma década. Só depende de como atores e atrizes jogam os dados e têm paciência para interpretar os lances alheios.

Por Augusto César