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EDITORIAL

EDITORIAL: A AMBIÇÃO HUMANA

Augusto César Por Augusto César
EDITORIAL: A AMBIÇÃO HUMANA

Recentemente houve no nosso País, campanha eleitoral; não foi muito diferente, das realizadas em nações democratas e civilizados.

Alguns candidatos em lugar de debaterem ideias, apresentando soluções concretas e viáveis,
para melhorarem o bem-estar do povo, limitaram-se a denegrir, com mais ou menos educação, o
antagonista. O diálogo que devia ser cortês, descambou, muitas vezes, ao que meu pai chamava: a nível
de antigos saleiros.

Tanta contenda para atingir o que costumam – segundo dizem, – acarretar muitos e graves dissabores!

Durante a visita que D. Pedro II, realizada, em 1872, à cidade do Porto, manifestou o desejo
de visitar o célebre romancista, Camilo Castelo Branco, para o condecorar com a: ” Ordem da Rosa”.

Vivia o escritor, nessa época, a São Lazaro, na baixa portuense.
Recebeu o Imperador, na sua modesta salinha de visitas. Enquanto o guardava, entreteve-se a

observar as gravuras que pendiam pelas paredes, que representavam reis e poetas.

Ao chegar o romancista, vendo-o a examinar atentamente os quadros, disse-lhe, sorrindo:

  • Vossa Majestade está a apreciar os retratos de seus antepassados?!
  • Sim : mas reparei apreensivo, na fisionomia de todos, e vi que têm um ar de tristeza…

exceto Béranger!…

-Sabe Vossa Majestade o motivo? – Interroga Camilo, não aguardando resposta:

  • É mais fácil escrever versos, do que leis!…
    Todos sabemos essa grande verdade; e o risco permanente da espada de Dâmocles.
    O poeta, jornalista e o escritor, a única desfeita que podem receber, são críticas injustas e

humilhações; mas, ao político, além de graves desfeitas, até a vida lhe pode correr perigo…

Mesmo assim, escritores, professores, industriais e simples homens do povo, erguem-se em
bicos de pés, para alcançarem lugares cimeiros na Política, que lhes empreste: fama, prestígio,
condecorações… e dinheiro; além de muitas ingratidões de amigos, e parentes…