A tentativa de transformar a presença de um assessor político em um ato público em prova da existência de um suposto “gabinete do ódio” dentro do Governo de Pernambuco levanta mais perguntas do que respostas.
O episódio registrado em Gravatá envolve um cargo comissionado que participou de uma manifestação contrária ao ex-prefeito do Recife e pré-candidato ao Governo do Estado, João Campos. A partir desse fato, setores da oposição passaram a sustentar uma tese muito mais ampla: a de que haveria uma estrutura organizada e financiada pelo Estado para atacar adversários políticos.
O problema é que, até o momento, não foram apresentadas provas públicas que sustentem uma acusação dessa dimensão.
Na política, manifestações favoráveis e contrárias fazem parte da rotina. Prefeitos, governadores, presidentes e candidatos convivem diariamente com aplausos e críticas. A presença de um assessor em um ato político pode gerar desgaste e debate, mas transformar esse episódio isolado em evidência de uma operação institucional exige algo além de conjecturas.
A narrativa também ignora um detalhe importante: se a simples participação de servidores ou ocupantes de cargos comissionados em manifestações políticas fosse suficiente para caracterizar uma estrutura oficial de ataques, praticamente todos os governos e prefeituras do país estariam sob suspeita.
O debate legítimo não é sobre a existência de opiniões contrárias a João Campos. O debate é se existe prova concreta de que recursos públicos foram utilizados para organizar manifestações. Até agora, o que existe é uma acusação política, não uma comprovação.
Em ano pré-eleitoral, a disputa pelas narrativas costuma correr mais rápido que os fatos. E, neste caso, a tentativa de transformar um episódio envolvendo um único assessor em um escândalo de grandes proporções parece atender muito mais à guerra política do que à apresentação de evidências objetivas.

Por Augusto César