Pular para o conteúdo
GERAL

Críticas de Michelle criam obstáculo eleitoral para Flávio Bolsonaro

Augusto César Por Augusto César
Críticas de Michelle criam obstáculo eleitoral para Flávio Bolsonaro

Foto: Divulgação

A decisão de Michelle Bolsonaro de tornar público seu rompimento político e pessoal com Flávio Bolsonaro cria um dos episódios mais delicados da pré-campanha presidencial do senador até aqui. Mais do que uma divergência interna sobre alianças partidárias, a ex-primeira-dama expôs um conflito familiar que atinge justamente um dos pontos mais vulneráveis do projeto eleitoral de Flávio: sua dificuldade de ampliar apoio entre o eleitorado feminino.

Ao afirmar ter sido “apunhalada”, humilhada e desrespeitada pelo enteado, Michelle transfere a disputa dos bastidores para o centro do debate político. O problema para Flávio é que a crítica não parte de um adversário, mas da principal liderança feminina do bolsonarismo. Presidente nacional do PL Mulher e responsável pela expansão da estrutura feminina do partido nos últimos anos, Michelle construiu uma imagem de lealdade ao ex-presidente Jair Bolsonaro e possui forte influência junto à base conservadora, especialmente entre mulheres evangélicas.

O impacto potencial vai além da questão eleitoral. As declarações reforçam a percepção de divisão dentro do núcleo bolsonarista num momento em que a direita busca demonstrar unidade para enfrentar Lula em 2026. Ao relatar que não fala com Flávio desde o episódio, mas que ele frequenta sua residência semanalmente sem buscar reconciliação, Michelle transmite a ideia de um conflito ainda aberto, sem perspectiva de solução imediata.

Politicamente, o desgaste é ampliado porque a divergência envolve um tema sensível para a militância bolsonarista: a aproximação com Ciro Gomes no Ceará. Ao se posicionar contra a aliança e associá-la à inelegibilidade de Jair Bolsonaro, Michelle ocupa um espaço de coerência ideológica valorizado por parte da base mais fiel do ex-presidente. Com isso, qualquer tentativa de Flávio de minimizar o episódio corre o risco de ser interpretada como distanciamento dos princípios defendidos pelo próprio bolsonarismo.

Embora seja improvável que o episódio provoque uma ruptura definitiva no campo conservador, ele impõe um custo político relevante à pré-campanha do senador. Em uma eleição que tende a ser decidida por margens estreitas e pela capacidade de conquistar segmentos além da militância tradicional, entrar em conflito público com a figura feminina mais popular da direita brasileira é um problema que Flávio Bolsonaro certamente preferiria não enfrentar neste momento.