(Foto: Bob Wolfenson)
Loulu Gilberto, filha caçula de João Gilberto, estreia com álbum que resgata memória afetiva do pai através de canções aprendidas com ele na infância
André Guerra – Memórias físicas e sonoras são embaladas pelo tempo e servidas em diferentes formas de bossa nova. Nasce, assim, o disco de estreia de Loulu Gilberto, filha mais nova de João Gilberto, intitulado com o próprio nome da artista. Já disponível nas plataformas digitais, o álbum traz 13 faixas que mapeiam a história que compõe a base da formação musical da cantora, ao mesmo tempo em que apontam para direções imprevisíveis.
A canção de abertura do projeto, “João”, cumpre uma função muito clara de reforçar esse resgate, permitindo que a suavidade melódica da letra apresente sua voz da forma mais limpa possível. A composição, escrita por Arnaldo Antunes e musicada por Cézar Mendes, soa como a abertura de um portal, um convite para uma viagem no tempo. As faixas que se seguem, incluindo clássicos como “Manias”, “O Amor nos Encontrou”, “Qui Nem Jiló” e “Beija-me”, aprofundam gradualmente a relação de Loulu com as músicas que aprendeu com seu maior mestre.
Em entrevista ao Diario, ela explica que o processo de produção do disco foi atravessado por lembranças e afetos. “Foi como se, depois de muitos anos, eu tivesse voltado à casa onde cresci, só que agora com olhos de adulta. A criança vê tudo com aquele olhar puro, de baixo; tudo é sempre muito grande”, conta. “Acabei tendo uma grande surpresa com os quadros na parede, os móveis e a grandeza real das coisas. E poder ver a dimensão real delas foi um dos motores principais da feitura do álbum”.
Filha de João Gilberto com a jornalista Cláudia Faissol, Loulu foi registrada como Luísa Carolina Gilberto há 22 anos, quando nasceu. Em 2019, perdeu o pai quando ainda tinha 15 anos e conta que parou de cantar na ocasião. A interrupção, no entanto, não durou tanto tempo e, como era desejo dele, ela começou a fazer aulas de violão e canto.

Por Augusto César