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POLíTICA

Ao atacar Raquel Lyra, João Campos esbarra em números do próprio PSB sobre violência contra mulher

Augusto César Por Augusto César
Ao atacar Raquel Lyra, João Campos esbarra em números do próprio PSB sobre violência contra mulher

Levantamento do Monitor da Violência mostrou que, em 2018, 83% dos assassinatos de mulheres acompanhados no Grande Recife ainda não tinham inquérito concluído durante a gestão de Paulo Câmara

O vídeo divulgado nesta terça-feira pelo pré-candidato ao Governo de Pernambuco, João Campos (PSB), criticando a política de enfrentamento ao feminicídio e à violência contra a mulher, reacendeu o debate sobre a segurança pública no estado. No entanto, a cobrança também levanta questionamentos sobre o histórico das gestões do próprio PSB na área. (JC⁠)

Um dos dados mais emblemáticos foi divulgado pelo Monitor da Violência, do G1, em março de 2018. Na época, a reportagem revelou que cinco dos seis assassinatos de mulheres acompanhados no Grande Recife permaneciam sem inquérito concluído mais de seis meses após os crimes. O índice correspondia a 83% dos casos monitorados.

Naquele período, Pernambuco era governado por Paulo Câmara, do PSB. João Campos integrava o núcleo político do partido e havia exercido o cargo de chefe de gabinete do então governador antes de assumir mandato eletivo.

Os números divulgados na época mostravam que a dificuldade na investigação dos feminicídios e da violência contra a mulher já era uma realidade durante as administrações socialistas. Por isso, críticos da postura de João Campos afirmam que suas cobranças atuais desconsideram problemas que também existiram quando o PSB comandava o Governo de Pernambuco.

O levantamento do G1 mostrou que apenas um dos seis casos acompanhados havia tido o inquérito concluído. Os demais permaneciam sem conclusão, evidenciando a lentidão das investigações naquele momento.

Ao cobrar mudanças na política de segurança pública e de proteção às mulheres, João Campos coloca um tema importante no centro do debate. Ao mesmo tempo, o histórico da gestão do PSB também passa a fazer parte dessa discussão, já que indicadores semelhantes já eram motivo de críticas durante o período em que o partido governava Pernambuco.