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Edmar Lyra – A morte do deputado estadual Waldemar Borges, aos 67 anos, no último sábado, no Recife, encerra uma das trajetórias mais consistentes da política pernambucana nas últimas décadas. Em pleno exercício do mandato na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), o parlamentar se manteve ativo até os últimos meses, mesmo em meio ao tratamento contra um câncer. Licenciado há cerca de seis meses, viu o suplente Cayo Albino assumir temporariamente sua cadeira. Sua partida, além de abrir uma lacuna no Legislativo, encerra uma carreira marcada pela longevidade institucional, pela capacidade de articulação e por uma atuação constante nos diferentes ciclos políticos do Estado.
A trajetória de Waldemar Borges começou no Recife, onde construiu sua base política e foi eleito vereador por quatro mandatos consecutivos, a partir de 1988. Nesse período, consolidou-se como um parlamentar de perfil técnico e atento à dinâmica da gestão pública, chegando a presidir a Câmara Municipal entre 2003 e 2004. Antes da vida legislativa mais proeminente, também ocupou funções no Executivo estadual e municipal, com passagens por áreas estratégicas de planejamento, trabalho e ação social, incluindo experiências no governo de Miguel Arraes. Essa formação híbrida, entre gestão e Parlamento, ajudou a moldar um político voltado à engrenagem do Estado.
Em 2010, Borges foi eleito deputado estadual, iniciando uma sequência de quatro mandatos na Alepe, onde se tornou uma das principais referências do PSB no Legislativo. Sua atuação ganhou projeção especialmente durante o ciclo político liderado pelo ex-governador Eduardo Campos, período em que exerceu papel central na articulação entre Executivo e Assembleia. Líder de governos e presença constante em comissões estratégicas, como Constituição e Justiça e Administração Pública, construiu uma reputação de parlamentar de bastidores, com forte capacidade de negociação e influência na construção de consensos.
Nos últimos anos, já em um cenário político distinto em Pernambuco, Borges ocupava posição de oposição ao governo da governadora Raquel Lyra (PSD), sem perder, no entanto, a característica que marcou sua trajetória: a presença institucional qualificada no debate legislativo. Mesmo fora da base governista, manteve diálogo com diferentes campos políticos, preservando um estilo de atuação menos voltado ao confronto e mais orientado à mediação. Sua vida pública também se entrelaça com a de sua esposa, a ministra Luciana Santos, figura de projeção nacional, compondo um núcleo político de relevância tanto estadual quanto federal.
A morte de Waldemar Borges ocorre em um momento de transição geracional na política pernambucana, em que quadros tradicionais do ciclo iniciado no final do século XX começam a se despedir do cenário institucional. Sua trajetória, no entanto, permanece como referência de um tipo de atuação política baseada na continuidade, na técnica legislativa e na construção de pontes entre diferentes forças políticas. Mais do que a soma de mandatos, Borges deixa a marca de um parlamentar que operou com regularidade nos bastidores do poder, ajudando a sustentar a estabilidade de governos

Por Augusto César