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EDMAR LYRA – A administração pública é, antes de tudo, um exercício de prioridades. Quem ocupa um cargo eletivo recebe da população a responsabilidade de administrar recursos que pertencem ao contribuinte, e não ao governante de plantão. Por isso, os números divulgados a partir do Portal Tome Conta, do Tribunal de Contas de Pernambuco (TCE-PE), acendem um alerta sobre a gestão do prefeito Marcílio Régio. Entre janeiro e 20 de junho deste ano, a Prefeitura de Goiana desembolsou R$ 25,2 milhões com eventos culturais, colocando o município na liderança estadual em gastos por habitante com festas: cerca de R$ 295,91 para cada morador. O dado é ainda mais impactante quando supera cidades muito maiores, como Recife, Caruaru e Olinda, revelando uma opção administrativa que merece ser questionada.
Ninguém discute que a cultura é importante ou que eventos movimentam a economia local. O problema é quando a impressão deixada é a de que o dinheiro público perdeu o devido zelo. Marcílio Régio parece tratar os cofres municipais com uma generosidade incompatível com a realidade enfrentada por milhares de goianenses. Enquanto milhões são destinados a shows, palcos e estruturas temporárias, persistem demandas históricas por infraestrutura, drenagem, saneamento, mobilidade e melhorias nos serviços essenciais. A população espera de um prefeito sensibilidade para compreender que o espetáculo dura poucas horas, mas os problemas urbanos permanecem durante todo o ano.
É justamente aí que reside a principal crítica à atual gestão. Não se trata de condenar festas populares, mas de questionar a ausência de equilíbrio na aplicação dos recursos públicos. O gestor que lidera um ranking de gastos dessa natureza inevitavelmente se coloca sob escrutínio da sociedade. Afinal, quem administra dinheiro público deve fazê-lo com prudência, planejamento e responsabilidade. O excesso de despesas com entretenimento transmite a sensação de que a prioridade da administração está mais voltada para os holofotes dos grandes eventos do que para as necessidades permanentes da população. E essa percepção cobra um preço político elevado.
Marcílio Régio tem todo o direito de defender sua política de investimentos em eventos e apresentar os resultados econômicos que considere relevantes. Mas também tem o dever de responder por uma escolha que coloca Goiana no topo de um ranking pouco recomendável. O dinheiro público exige zelo, parcimônia e respeito ao contribuinte. Quando uma gestão passa a ser mais lembrada pelo volume gasto com shows do que pelas obras estruturadoras entregues à população, é sinal de que as prioridades podem estar invertidas. Festa é importante, mas não pode se transformar na marca de uma administração enquanto problemas básicos continuam aguardando solução. Afinal, o aplauso termina quando o show acaba; a conta, porém, permanece nas mãos do cidadão.

Por Augusto César