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EDMAR LYRA – A nova pesquisa BTG/Nexus mostra que a disputa presidencial de 2026 voltou praticamente ao ponto em que estava antes da crise política provocada pelo chamado caso Master, envolvendo o filme Dark Horse. Após semanas em que o episódio dominou o debate político e alimentou expectativas de que poderia provocar desgaste eleitoral tanto para o governo quanto para a oposição, os números indicam que seus efeitos foram limitados. Lula retorna ao patamar de 40% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro permanece em 34%, reproduzindo, na prática, o cenário anterior à controvérsia.
Outro dado relevante é que as turbulências internas no campo bolsonarista tampouco produziram reflexos eleitorais. A troca de críticas e o evidente distanciamento entre Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro chegaram a alimentar especulações sobre uma possível fragmentação da direita, sobretudo diante da importância política da ex-primeira-dama junto ao eleitorado conservador. Entretanto, a estabilidade dos números demonstra que o embate familiar e político não provocou prejuízo à candidatura do senador, que manteve intacta sua capacidade de representar o eleitorado identificado com o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Os números reforçam que a polarização segue sendo o principal combustível da eleição. Lula lidera o primeiro turno com 40%, seis pontos à frente de Flávio Bolsonaro, que registra 34%. Embora o presidente continue em vantagem, o cenário permanece competitivo e sem margem para acomodação. No segundo turno, a distância diminui ainda mais: Lula aparece com 47% contra 44% de Flávio, resultado que configura um empate técnico dentro da margem de erro da pesquisa e confirma uma disputa aberta.
A pesquisa também evidencia que o eleitorado permanece fortemente concentrado nos dois principais polos políticos. Governadores como Ronaldo Caiado e Romeu Zema continuam sem conseguir romper a barreira dos 5% no primeiro turno e, nas simulações de segundo turno, são derrotados por Lula com diferenças superiores às registradas por Flávio Bolsonaro. Isso reforça que, até o momento, não há sinais consistentes de viabilidade para uma candidatura alternativa capaz de romper a lógica da polarização.
O levantamento ainda revela uma característica importante do atual ambiente político: fatos que dominam o noticiário por semanas nem sempre conseguem alterar o comportamento do eleitor. Tanto o episódio envolvendo o caso Master quanto as divergências públicas entre Michelle e Flávio Bolsonaro tiveram enorme repercussão nas redes sociais e no meio político, mas seus impactos nas intenções de voto foram praticamente nulos. A fotografia eleitoral sugere que o eleitorado já possui posições bastante consolidadas e tende a filtrar acontecimentos conjunturais de acordo com suas convicções políticas.
Faltando poucos meses para a eleição, o cenário permanece de equilíbrio. Lula continua na dianteira, mas distante de qualquer situação confortável. Flávio Bolsonaro, por sua vez, confirma que conseguiu preservar o patrimônio eleitoral do bolsonarismo mesmo enfrentando desgastes internos e crises de imagem. A principal conclusão da pesquisa BTG/Nexus é que os dois episódios mais explorados politicamente nas últimas semanas não alteraram o eixo central da disputa: a eleição segue polarizada, altamente competitiva e com o desfecho completamente em aberto.

Por Augusto César